Formentera: a ilha que inspirou o Pink Floyd e quase “salva” Syd Barrett

Em 1967, o Pink Floyd decidiu tirar umas férias em uma ilha na Espanha. A intenção era melhorar a saúde mental de Syd Barrett.

No verão de 1967, Syd Barrett, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason, da primeira formação do Pink Floyd haviam acabado de lançar seu primeiro álbum, “The Piper at the Gates of Dawn”. Em decorrência do lançamento a banda já começava a chamar atenção de produtores de shows e eventos, e fazia algumas apresentações ao vivo por Londres, inclusive participando de programas ao vivo da BBC, como por exemplo, o “Top Of The Tops”. 

No entanto, um fato começava a preocupar o grupo, o vício em LSD de Syd Barrett, vocalista e guitarrista. O músico tomava as pastilhas da droga como se fossem bombons, entrando muitas vezes em estado catatônico, sem se mover, e nem reagir até mesmo no palco. Sendo que certa vez, levado por Roger Waters, se recusava a sair do carro para ir ao psiquiatra.

Viagem ao mediterrâneo

Dessa forma, o médico e amigo da banda Sam Hunt, sugeriu que o grupo tirasse umas férias em Formentera, uma ilha espanhola próxima de Ibiza. Partiram para a viagem os quatro membros do Pink Floyd, suas esposas e namoradas, o médico Sam Hunt, e o designer Aubrey Powell.

Na região paradisíaca a banda alugou uma casa por cerca de um mês, e no local, aproveitaram a piscina, praias e o sol da região do mediterrâneo.

Além do mais, a banda se inspirou na ilha espanhola para produzir a trilha sonora do filme “More”, do diretor Barbet Schroeder. Inclusive, a foto do moinho de Sant Ferran que está no cartaz e álbum do longa foi tirada por Powell em Formentera. 

 Na ilha, tiveram como anfitriões o músico francês Michel Gerard e sua esposa Tara. 

Syd Barrett, um gênio tragado pelas drogas e transtornos mentais

Inspiração para músicas.

Acima de tudo, a estadia na ilha ajudou o Pink Floyd a captar a essência da natureza e transformá-la em música. Como lembra Powell, “O Pink Floyd soube captar a alegria do mar e da natureza e a sua música reflete isso”. Audrey Powell montaria nos anos 70 junto com Storm Thorgerson, a agência de designers Hipgnosis, responsável pelas capas do Pink Floyd, Led Zeppelin, AC/DC e Yes. 

Contudo, a estadia em Formentera ajudou só naquele período a melhorar a condição de Barrett em relação às drogas. No retorno para Londres o músico piorou. A solução encontrada no começo de 1968, durante as gravações do segundo álbum “A Saucerful of Secrets”, foi afastar Syd Barrett, e sobretudo agilizar a entrada de David Gilmour. 

Por fim, em relação a região de Formentera, Aubrey Powell manteve uma casa na região por muitos anos. Tanto Roger Waters, quanto David Gilmour retornaram ao lugar diversas vezes.