Rock: 8 músicas que falam sobre fé, amor e espiritualidade”

Listamos oito músicas em que cantores e bandas usaram criatividade e talento para compor, para falar sobre fé, amor e Deus. 

Por Sandro Abecassis

Joan Osbourne – One Of Us

Com uma voz quase infantil, Joan Osbourne pergunta no refrão de “One Of Us”: “E se Deus fosse um de nós?”. A música estourou nas paradas mundiais em novembro de 1995.

A composição é de Eric Bazilian, e, a princípio, era para a banda Crash Test Dummies gravar. Eric queria um vocal masculino potente, semelhante à voz do vocalista da banda, Brad Roberts.

Por outro lado, produtores insistiram para que a música fosse dada a Joan Osbourne, o que aconteceu.

A cantora alcançou com a canção o 4º lugar na Billboard. Mas apesar do sucesso, Joan Osbourne chegou a ser ameaçada por religiosos mais radicais, que achavam um sacrilégio a música comparar Deus a um de nós.

U2 – I Still Haven’t Found What I’m Looking For

A busca pelo divino é o caminho da canção do U2, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, lançada no álbum Joshua Tree de 1987.

A inspiração para a composição veio do Gospel Americano, e ao mesmo tempo do Folk de Bob Dylan. Bono é católico e compôs a canção em volta de salmos, mas a mensagem da música é para mostrar que todos somos filhos de Deus, independentemente de religião ou etnia.

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No entanto, cita claramente Jesus nos versos: “I believe in the kingdom come. Then all the colors will bleed into one. Bleed into one. But yes, I’m still running. You broke the bonds. And you loosed the chains. Carried the cross”

(Eu acredito na vinda do reino. Então todas as cores irão juntar-se em apenas uma. Juntar-se em apenas uma. Mas, sim, ainda estou correndo. Você quebrou os elos e soltou as correntes. Você carregou a cruz).

Contudo, o videoclipe curiosamente foi gravado em Las Vegas, um lugar onde as pessoas procuram outro tipo de “salvação”.

The Beatles: Here Comes The Sun, a canção que saudou a primavera de 1969

Bob Marley – Redemption Song

“Redemption Song” foi composta por Bob Marley em 1979, quando o câncer já começava a se manifestar de uma forma grave. A música tem uma simbologia espiritual de libertação, em saber sobre sua condição humana finita e ao mesmo tempo sobre uma vida em outro plano.

Por outro lado, “Redemption Song” também defende a liberdade e resistência da raça negra frente à exploração e segregação.

O movimento religioso Rastafari, ao qual Marley pertencia, acreditava na vida após a morte e que não haveria um paraíso no céu, mas sim na terra, mais precisamente na Etiópia, no continente Africano. “Jah” para os rastas é Deus, e a palavra é derivada do Hebraico “Yah”, que significa “o redentor”.

The Byrds – ‘Turn! Turn! Turn!

A composição de Peter Seeger, “Turn! Turn! Turn!”, foi composta em 1959 e lançada pelo The Byrds em 1965, é praticamente toda inspirada no Livro de Eclesiastes da Bíblia, conhecido como livro do Rei Salomão.

Diz a letra: “Um tempo para nascer. Um tempo para morrer. Um tempo para plantar, tempo para colher. Um tempo para matar, um tempo para curar. Um tempo para rir, tempo para lamentar.”

No entanto, a música ecoou como um hino do movimento hippie, Flower Power, nos Estados Unidos, devido à letra conter versos que traduzem a utopia de paz e amor dos momentos iniciais daquela geração.

George Harrison – My Sweet Lord 

 

“My Sweet Lord” está presente no álbum triplo de George Harrison, “All Things Must Pass”, de 1970. A canção foi inspirada tanto em “Oh happy day” quanto na melodia de “He´s so fine”, o que até rendeu um problema de plágio para o ex-Beatle.

No entanto, a música é como um mantra, exaltando os deuses hindus, mas ao mesmo tempo, traz uma unidade universal com os versos cristãos de “Aleluia” e citações à Krishna. A canção de George Harrison alcançou o primeiro lugar nas paradas internacionais em outubro de 1970.

Elvis Presley – Amazing Grace

Uma das inspirações para Elvis Presley começar a cantar veio da música gospel das igrejas do sul dos Estados Unidos. O músico, durante toda a sua carreira, chegou a gravar diversas canções de cunho religioso.

Sendo assim, uma das músicas é “Amazing Grace”, letra inicialmente escrita pelo inglês protestante John Newton em 1779, que fala sobre encontrar o significado da vida em Deus. A versão mais famosa da canção está em uma gravação feita em 1972, onde o Rei rock cantou acompanhado do trio de vocais femininos The Blossoms.

Ouça:

Lenny Kravitz – ‘Are You Gonna Go My Way’

O cantor de rock Lenny Kravitz tem tatuado nas costas “Meu coração pertence a Jesus”. O músico já fez referências a Deus, paz e harmonia em diversas canções, como em ‘Are You Gonna Go My Way’, cujos versos do refrão dizem: “But what I really want to know is: Are you gonna go my way? And I got to, got to know” (Mas o que eu realmente quero saber é: você vai seguir meu caminho? E eu tenho que saber).

No videoclipe da música, há até uma menção sutil a uma coroa, mas não de espinhos, descendo sobre o cantor. Sendo assim, veja abaixo:

Legião Urbana – Monte Castelo

A inspiração de Renato Russo para a composição da música ‘Monte Castelo’ veio dos versos do escritor português Luís Vaz de Camões no Soneto 11 e de trechos da Bíblia. A letra indiretamente não cita religião, mas tem versos que representam a base das religiões e do que os grandes mestres pregam, como por exemplo, “É só o amor, é só o amor que conhece o que é verdade”.

Católico, Renato Russo usou neste mesmo disco, ‘Quatro estações’ de 1989, versículos do apóstolo João, como “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade, tende piedade, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dá-nos a paz, dá-nos a paz, ó dá-nos a vossa paz!” presentes, sobretudo na canção ‘Sete Cidades’.