George Harrison revelou como encontrou paz pouco antes de morrer
Guitarrista refletiu sobre fama, espiritualidade e envelhecimento anos antes de sua morte.
Foto: Gaura, Public domain, via Wikimedia Commons
Mesmo décadas após o fim dos Beatles, George Harrison nunca escondeu os desafios que enfrentou para construir uma vida longe da maior banda da história. Em entrevistas concedidas nos anos 1980, o músico falou com sinceridade sobre fama, amadurecimento e a busca por equilíbrio.
Harrison, que morreu em 29 de novembro de 2001, aos 58 anos, vítima de câncer, revelou que a trajetória após os Beatles exigiu resiliência, assim como capacidade de adaptação.
Em uma entrevista concedida à revista Film Comment em 1988, George foi questionado sobre as dificuldades de seguir em frente depois do sucesso mundial da banda. Ele respondeu de forma bem-humorada, incluindo os antigos companheiros na reflexão.
“Posso dizer que o fato de ainda termos alguns neurônios e senso de humor é bastante notável”. Conforme disse George. “Tive meus altos e baixos ao longo dos anos, e agora meio que me estabilizei. Estou me sentindo bem. Não me deixo levar pela euforia nem me abato demais com nada.”

A conexão de George Harrison com a natureza
Ao longo da vida, George Harrison encontrou na espiritualidade e na natureza formas de manter o equilíbrio emocional. O artista costumava passar longos períodos em seu jardim e valorizava momentos simples ao lado da família e dos amigos.
Segundo ele, eram essas experiências que ajudavam a manter a vida interessante e significativa. “Muitas pequenas distrações divertidas que mantêm as coisas interessantes”, disse ele.
O músico se via como um sobrevivente
Em outra entrevista, desta vez ao programa Good Morning America, em 1987, George revelou que frequentemente refletia sobre tudo o que havia vivido desde o início da Beatlemania.
Contudo, o músico admitiu que, em alguns momentos, se surpreendia por ainda estar ali após tantos anos de intensa exposição pública.
“Às vezes, fico impressionado por ter chegado tão longe”, disse ele. “Sabe, às vezes me sinto muito bem e acho que ainda estou em boa forma, considerando todo o desgaste que meu corpo sofreu. Outras vezes, me sinto como se tivesse 5.000 anos.”
As cicatrizes que George Harrison chamava de “carma instantâneo”
Quando recebeu o diagnóstico de câncer no final dos anos 1990, George já encarava a vida de forma diferente. Segundo relatos da família, ele não costumava se apegar aos acontecimentos negativos.
Afinal, em entrevista à AARP, sua esposa, Olivia Harrison, contou que o músico se referia a algumas marcas físicas como “carma instantâneo”.
Ela explicou: “Ele disse: ‘Eu fisguei um peixe com um arpão. Era tão pequeno. Parecia tão grande através da máscara. Eu o joguei de volta e ele cortou meus dedos. Tive que espremer limão nos dedos.’ Ele chamou as cicatrizes de karma instantâneo.”
Como George Harrison foi lembrado pela família
Para o filho do artista, Dhani Harrison, o pai conseguiu alcançar um estado de serenidade raro antes de sua morte.
Segundo ele, George não carregava cicatrizes emocionais nem ressentimentos quando faleceu em 29 de novembro de 2001. Dhani afirmou que o ex-Beatle vivia de maneira semelhante a um iogue, em paz consigo mesmo e com o mundo ao seu redor.
Por fim, mais de duas décadas após sua partida, George Harrison continua sendo lembrado não apenas por sua contribuição a música. Mas também pela busca constante por espiritualidade, simplicidade e sobretudo equilíbrio diante dos desafios da vida.