Marjane Satrapi morreu de “Tristeza” diz comunicado
Marjane Satrapi morre um ano após perder o marido Mattias Ripa
Criadora de “Persépolis”, artista franco-iraniana enfrentava o luto desde a morte do companheiro em 2025 e compartilhava sua dor nas redes sociais.
A artista franco-iraniana Marjane Satrapi, conhecida mundialmente pela obra autobiográfica Persépolis, morreu um ano após a morte de seu marido, Mattias Ripa. A informação foi divulgada pela família nesta quinta-feira.
Segundo o comunicado, Satrapi teria morrido “de tristeza” após enfrentar um longo período de luto pela perda do companheiro, falecido em abril de 2025.

Desde a morte de Ripa, a escritora usava frequentemente suas redes sociais para expressar a dor da ausência. Em diversas publicações no Instagram, uma frase se repetia e emocionava seus seguidores: “Perdi o amor da minha vida”.
Quem foi Marjane Satrapi
Nascida no Irã e radicada na França desde 1994, Satrapi tornou-se uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea ao lançar “Persépolis”, em 2000.
A obra retrata sua juventude durante o regime dos aiatolás, a repressão política vivida pela população iraniana e sua saída do país rumo à Europa. O sucesso foi tão expressivo que o livro se tornou a única graphic novel a integrar a lista dos 100 melhores livros do século XXI elaborada pelo New York Times.
Além do sucesso literário, “Persépolis” também ganhou uma adaptação para o cinema, ampliando ainda mais o reconhecimento internacional da autora.
Uma história de amor longe dos holofotes
Marjane Satrapi e Mattias Ripa se conheceram na França em 1994. Na época, o sueco participava de um programa de intercâmbio universitário em Paris.
O relacionamento evoluiu rapidamente e, um ano depois, o casal se mudou para Estocolmo. Apesar da fama da escritora, os dois sempre optaram por manter a vida pessoal distante da exposição pública.
Mesmo discreto, Ripa teve papel fundamental na trajetória profissional da artista. Economista de formação, ele trabalhou como ator, produtor, roteirista e colaborou como tradutor de “Persépolis”.
Ele também participou dos primeiros projetos audiovisuais de Satrapi, incluindo um curta-metragem de animação produzido quando ela ainda estudava na Escola de Artes Decorativas de Estrasburgo.
Declaração sobre independência marcou trajetória
Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol La Vanguardia, em 2020, Satrapi falou sobre sua visão de vida e relacionamentos.
“A ideia de me tornar uma mulher encantadora com um marido nunca foi o objetivo da minha vida. O mais importante para mim sempre foi ser livre e independente”, afirmou.
A causa da morte de Mattias Ripa, ocorrida em abril de 2025, nunca foi divulgada pela família. Um ano depois, a partida de Marjane Satrapi encerra uma trajetória marcada por talento, coragem e uma das histórias mais influentes da literatura gráfica mundial.
