“The Great Gig in the Sky”: a música que nasceu do medo da morte
Faixa do Pink Floyd nasceu do medo da morte e virou um dos momentos mais intensos do rock
“The Great Gig in the Sky”, clássico do álbum The Dark Side of the Moon, surgiu a partir de uma composição do tecladista Richard Wright e aborda um tema profundo: a passagem da vida para a morte.
A primeira metade da música é marcada por tensão, intensidade e desespero, representando uma pessoa lutando contra o inevitável. Já a segunda parte ganha um tom mais suave, simbolizando a aceitação da morte e o desaparecimento gradual.
Em entrevista à revista Mojo, em 1998, Wright revelou que o medo constante de morrer influenciou diretamente a criação da faixa.
“Um dos pesos de estar na banda era esse medo constante da morte por causa de todas as viagens de avião e pelas estradas da América e da Europa”, explicou o músico.
Durante as gravações de The Dark Side of the Moon, muitas músicas ainda nem tinham títulos definidos. A banda se referia à composição como “The Religious Section” ou “The Mortality Sequence”.
O vocal improvisado que entrou para a história
“The Great Gig in the Sky” se tornou uma das raras músicas do Pink Floyd com vocal feminino. A cantora Clare Torry foi convidada pelo engenheiro de som Alan Parsons para participar da gravação.
Inicialmente, Clare tentou cantar palavras e frases comuns de soul music, mas recebeu outra orientação.
Segundo Parsons, em entrevista à Rolling Stone:
“Ela precisava ser contida nisso. Não havia direção real. Ela apenas precisava sentir a música.”
O guitarrista David Gilmour contou que a banda imaginava contratar cantoras como Madeleine Bell ou Doris Troy.
Mas tudo mudou quando Clare Torry começou a cantar.
“Quando ela abriu a boca, saiu aquele som quase orgástico que conhecemos e amamos”, disse Gilmour à Mojo.
A música começou apenas como um piano de Rick Wright
No início, a faixa era apenas uma sequência de piano criada por Wright. A banda ainda não sabia como utilizá-la.
Com o desenvolvimento de The Dark Side of the Moon, o grupo decidiu transformar a ideia em música completa. Portanto, depois, David Gilmour adicionou sua guitarra slide e Clare Torry gravou os vocais improvisados que se tornaram lendários.
E então, Wright relembrou o momento em entrevista à Uncut, em 2003:
“Dissemos apenas: ‘Entre e improvise’. Ela ficou apavorada porque não sabia o que fazer. Mas daquele improviso surgiu um vocal extraordinário.”
O tecladista também explicou que, apesar da interpretação sobre morte, ele não escreveu a música pensando exatamente nisso.
“Para mim, existe terror, medo e emoção enorme, especialmente no meio da música.” Conforme declarou.
Clare Torry processou o Pink Floyd
Em 2004, Clare Torry entrou na Justiça contra o Pink Floyd e a gravadora EMI pedindo participação nos direitos autorais da composição.
A cantora alegou que ajudou a criar parte essencial da música com seu improviso vocal. Em 2005, ela venceu o processo, embora os detalhes financeiros do acordo nunca tenham sido divulgados.
Curiosidades sobre “The Great Gig in the Sky”
- A música encerra o lado A original do vinil de The Dark Side of the Moon, reforçando o conceito de mortalidade do disco.
- A faixa ficou conhecida entre fãs por sincronizar com cenas do filme The Wizard of Oz.
- Antes da última nota terminar, a música acelera levemente para caber no espaço limitado do vinil.
- Em 1994, a canção acabou usada em comerciais europeus do analgésico Nurofen, algo raro para o Pink Floyd.
- Por fim, a música também está no filme School of Rock, estrelado por Jack Black.