Santiago Peña é preso no Paraguai após impeachment
Ex-presidente é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta, tráfico de influência e outros crimes ligados ao escândalo financeiro do banco Ueno.
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira (6), pouco depois de o Senado concluir a votação que aprovou a perda de seu mandato. Ele ficará em prisão domiciliar por determinação do Ministério Público.
A detenção faz parte das investigações sobre suspeitas de irregularidades na gestão do banco Ueno. O caso envolve possíveis crimes financeiros, conflitos de interesse e uso de recursos públicos.
Por que Santiago Peña foi preso?
A ordem de prisão foi emitida por quatro promotores do Ministério Público paraguaio. Policiais federais foram até a residência de Peña logo após o encerramento da votação no Senado.
Segundo o promotor Cristian Benítez, o mandado envolve três classificações penais:
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Lesão de confiança;
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Tráfico de influência;
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Administração para proveito próprio.
Benítez explicou à imprensa paraguaia que essas são classificações preliminares. O Ministério Público ainda precisa estabelecer quais fatos correspondem a cada possível crime e esclarecer as circunstâncias das suspeitas.
Qual é a ligação de Peña com o banco Ueno?
A investigação também considera os vínculos financeiros do ex-presidente com o grupo responsável pelo banco Ueno.
Em 2023, Peña declarou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, o equivalente a R$ 5,41 milhões. Ele vendeu sua participação em abril de 2025.
O ex-presidente também informou possuir um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis (R$ 2,11 milhões) no banco Ueno, além de um título da empresa Itti, especializada no desenvolvimento de softwares financeiros.
Outro ponto da investigação envolve o irmão de Peña, que aparece como sócio da U Holding SARL. A empresa seria utilizada pelo grupo para controlar o Ueno Bank.
Investigação apura conflito de interesse e uso de dinheiro público
A apuração ganhou novos elementos na quinta-feira (5), quando um grupo de parlamentares apresentou uma denúncia complementar, segundo o jornal paraguaio ABC Color.
O documento acrescenta três fatos a uma representação anterior, protocolada em 22 de outubro de 2025.
Um dos pontos questiona a atuação do Banco Central do Paraguai (BCP). Segundo os parlamentares, autoridades da instituição já conheciam os problemas financeiros do banco desde abril de 2026, mas não teriam adotado as medidas legais necessárias para evitar o agravamento da situação.
O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também é citado na denúncia.
Depósitos públicos no banco Ueno entram na mira
Outro ponto importante envolve depósitos de dinheiro público no Ueno Bank.
Entre as instituições que mantinham recursos no banco estão:
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Instituto de Previdência Social (IPS);
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Usina binacional de Itaipu, compartilhada por Brasil e Paraguai;
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Entidade binacional Yacyretá, dividida entre Paraguai e Argentina;
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Ministério da Economia.
Os parlamentares pediram que a investigação examine individualmente as decisões que levaram essas instituições a depositar dinheiro no banco.
O objetivo é esclarecer se houve prejuízo aos cofres públicos ou algum tipo de combinação entre os responsáveis pelas operações.
O que acontece agora?
O Ministério Público deverá aprofundar a investigação para determinar a participação de cada envolvido e esclarecer as possíveis irregularidades.
A prisão domiciliar de Santiago Peña representa um novo capítulo da crise política e financeira no Paraguai. O caso também coloca sob pressão autoridades do sistema financeiro e instituições públicas que mantinham recursos no banco Ueno.