Paul McCartney gravou como “Paul Ramon” faixa da Steve Miller Band

Antes do fim dos Beatles, Paul McCartney usou um antigo nome artístico em uma sessão com Steve Miller.

Em maio de 1969, Paul McCartney viveu um dos momentos mais turbulentos de sua trajetória com os The Beatles. Em meio às discussões internas que aceleravam o fim da banda, o músico voltou a usar um pseudônimo esquecido desde o início dos anos 1960: Paul Ramon.

O nome reapareceu durante a gravação de “My Dark Hour”, faixa da Steve Miller Band registrada em 9 de maio de 1969, nos Olympic Studios, em Londres. A sessão aconteceu logo após uma discussão intensa entre Paul, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr sobre a assinatura de um contrato que colocaria Allen Klein como gerente financeiro do grupo.

Enquanto John, George e Ringo deixaram o estúdio, Paul permaneceu no local. Foi então que encontrou Steve Miller, que trabalhava em gravações naquela noite.

Paul McCartney toca quase tudo em “My Dark Hour”

A parceria improvisada resultou em uma das gravações mais curiosas da reta final dos Beatles. Paul assumiu bateria, baixo, guitarra e backing vocals, enquanto Steve Miller ficou responsável pelos vocais principais e demais instrumentos.

Apesar da forte participação na música, McCartney não recebeu crédito de composição. Seu nome apareceu apenas como músico convidado, usando o pseudônimo Paul Ramon — identidade artística criada em 1960 durante uma turnê da fase inicial dos Silver Beetles pela Escócia.

“My Dark Hour” foi lançada como single em junho de 1969 e também integrou o álbum “Brave New World”, da Steve Miller Band.

O relato de Paul sobre a sessão

Anos depois, Paul McCartney relembrou a gravação como um reflexo do clima pesado vivido naquele período.

“Steve Miller estava lá filmando tarde da noite, e entrou como se nada fosse. ‘O que se passa, cara? Posso usar o estúdio?’ — ‘Sim!’, disse eu. ‘Posso tocar bateria para você? Acabei de ter uma grande discussão com os caras de lá.’” Conforme consta em Paul McCartney”, de Philip Norman.

O músico contou que usou a sessão para descarregar a tensão acumulada após a briga com os Beatles.

“Então gravei uma música, ele e eu ficamos nessa noite e gravamos uma música dele chamada My Dark Hour. Acertei na bateria. Há muitos rufias agressivas, é tudo o que posso dizer sobre isso.”

Paul também revelou que aquele período marcou profundamente sua vida pessoal.

“Foi uma época muito estranha na minha vida e juro que fiquei com meus primeiros cabelos brancos nesse mês.”

A parceria com Steve Miller volta décadas depois

Mesmo surgindo em um contexto turbulento, a amizade entre Paul McCartney e Steve Miller continuou. Décadas depois, os dois voltariam a trabalhar juntos no álbum “Flaming Pie”, lançado por Paul em 1997.

Por fim, a história de “My Dark Hour” acabou entrando para a lista de episódios curiosos dos bastidores dos Beatles, reunindo um pseudônimo perdido, uma madrugada de desabafo e uma colaboração inesperada em meio ao caos que cercava a banda em 1969.