Michael: diretor de Leaving Neverland critica cinebiografia e cita abuso
Filme sobre Michael Jackson vira alvo de críticas por omitir acusações e reacende debate sobre o legado do cantor
A cinebiografia Michael, já nasce cercada de polêmica. O diretor Dan Reed, responsável pelo documentário Leaving Neverland, voltou a criticar o projeto e afirmou que o filme ignora pontos centrais da história do artista, como as acusações de abuso sexual.
Segundo a revista Rolling Stone, Reed tem sido um dos principais críticos da produção, acusando o longa de tentar “limpar” a imagem de Michael Jackson ao evitar controvérsias que marcaram sua vida.
Filme evita acusações e foca na ascensão
Dirigido por Antoine Fuqua, o longa acompanha a trajetória de Jackson desde a infância até o auge da fama nos anos 1980. A escolha narrativa, no entanto, deixou de fora episódios mais delicados, incluindo as denúncias de abuso feitas ao longo dos anos.
A decisão não foi apenas criativa. O roteiro passou por mudanças após questões legais envolvendo acordos antigos, o que levou à remoção de cenas que abordariam diretamente essas acusações.
Com isso, o filme termina antes do período em que surgiram as primeiras denúncias, reforçando o foco na carreira musical e no sucesso global do artista.
Diretor acusa “apagamento” da história
Para Dan Reed, essa abordagem compromete a credibilidade da obra. Ele argumenta que ignorar as acusações distorce a realidade e impede uma discussão mais ampla sobre o legado do cantor.
O cineasta dirigiu Leaving Neverland (2019), documentário que trouxe relatos de Wade Robson e James Safechuck, que afirmam ter sofrido abuso quando crianças. O filme teve grande repercussão e reacendeu o debate global sobre a figura de Jackson.
Reed sustenta que qualquer retrato completo do artista deveria incluir essas acusações, independentemente de posicionamento, para oferecer ao público uma visão mais equilibrada.
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Produção defende recorte da história
Por outro lado, integrantes do elenco e da produção defendem a proposta. O ator Colman Domingo afirmou que o filme cobre apenas uma fase específica da vida do cantor, justificando a ausência das controvérsias.
Portanto, a narrativa, segundo eles, foi construída a partir da perspectiva de Jackson e foca em sua formação artística e ascensão meteórica.
Polêmica deve acompanhar estreia
Mesmo antes de chegar aos cinemas, Michael já divide opiniões. Críticos apontam que o longa pode funcionar como uma homenagem visual, mas deixa lacunas importantes ao evitar temas sensíveis.
Ainda assim, a expectativa comercial é alta, e há até a possibilidade de uma continuação que explore outras fases da vida do artista — dependendo de entraves legais.
Por fim, o debate, ao que tudo indica, está longe de terminar — e deve ganhar ainda mais força com o lançamento do filme.