Keith Richards diz que John Lennon “acabava na privada” após excessos

Parceria entre os músicos atravessou excessos, noites caóticas entre períodos criativos das bandas.

Na década de 60, a rivalidade entre The Beatles e The Rolling Stones existia muito mais na imprensa do que na vida real. Nos bastidores, integrantes das duas bandas mantinham amizade próxima — especialmente Keith Richards e John Lennon.

Entre 1968 e 1969, enquanto os Stones lançavam os álbuns Beggars Banquet e Let It Bleed, os Beatles viviam a fase turbulenta do Álbum Branco e das gravações de Let It Be.

Foi também um período marcado por noites intensas, drogas, desgaste emocional e uma relação de admiração mútua entre Lennon e Richards.

John Lennon frequentava o círculo de Keith Richards

Trechos da autobiografia de Keith Richards, “Vida”, revelam que John Lennon costumava aparecer em encontros privados ao lado de Yoko Ono. Segundo Richards, Lennon tentava acompanhar seu ritmo autodestrutivo, mas quase sempre acabava mal.

“Ele não conseguia me acompanhar. Ele tentava, tomava qualquer coisa que eu tomasse, mas não tinha o mesmo ritmo que eu. Um pouquinho disso, um pouquinho daquilo, uns dois para baixar a bola, outros dois para levantar, coca e heroína e depois eu ia trabalhar. Estava todo animado. E John acabava inevitavelmente na minha privada, abraçado à porcelana” Conforme escreveu Keith ao lembrar das noites em que John consumia as mesmas drogas que ele.

Neste período John já estava com Yoko Ono, que criticava a atitude do Beatle, dizendo: “Ele não devia fazer isso”. E Keith respondia: “Eu sei, mas eu não o obriguei!”.

Em uma das histórias mais conhecidas, Keith relembra uma noite no Hotel Plaza em que John desapareceu durante uma festa. Quando foi procurá-lo, estava deitado no banheiro admirando o piso.

“Não me tire daqui, esta cerâmica é muito bonita”, teria dito Lennon, segundo Richards. E completou. “As vezes eu me perguntava se aquela gente vinha mesmo me visitar ou se era uma espécie de competição sobre a qual eu nada sabia. Não sei se John alguma vez saiu de minha casa sem ser na horizontal. Ou precisando se apoiar em alguém”. Finalizou.

O período entre “Beggars Banquet” e “Let It Be”

Na época, os Rolling Stones atravessavam uma transformação artística importante. “Beggars Banquet”, lançado em 1968, marcou o retorno da banda ao blues e ao rock mais cru após experiências psicodélicas, principalmente provocando o sistema, com “Sympathy For The Devil” e “Street Fighting Man”

Enquanto isso, os Beatles gravavam o “Álbum Branco”, abandonando a fase psicodélica e entrando em um período experimental, um disco fragmentado que refletia as tensões internas do grupo, e principalmente o talento individual dos quatro.

Por fim, 1968 também ficou marcado pelo projeto The Rolling Stones Rock and Roll Circus, que reuniu uma verdadeira superbanda: John Lennon nos vocais e guitarra, Keith Richards no baixo, Eric Clapton na guitarra solo e Mitch Mitchell na bateria. Sob o nome The Dirty Mac, o grupo apresentou uma versão explosiva de Yer Blues, um dos momentos mais históricos do encontro entre Beatles e Stones nos anos 1960.