Sympathy For The Devil: a história por trás da canção dos Stones.

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“Sympathy For The Devil”, traz influência da percussão Afro-brasileira, além da visão de trágicos acontecimentos históricos.

No dia 6 de dezembro de 1968 os Rolling Stones lançavam o álbum, “Beggar ‘s Banquet”, que ficou marcado por trazer duas faixas que se tornaram clássicas e emblemáticas da banda, “Sympathy For The Devil” e “Street Fighting Man”. 

A faixa “Sympathy For The Devil” se destaca principalmente devido à sua letra provocativa, que aborda temas como guerra, Jesus, o diabo e o ocultismo.

Além disso, a canção trouxe elementos que misturam rock e uma percussão inspirada nos ritmos afrobrasileiros.

Para explicar isto, vamos voltar para o começo de 1968.

Sympathy For The Devil: a história por trás da canção dos Stones.
Marianne e Mick no Copacabana Palace. Foto Estado de São Paulo.

Mick Jagger desembarcou no Rio de Janeiro com Marianne Faithfull e ficou hospedado no Copacabana Palace, na capital carioca. O vocalista dos Stones pensou que fosse passar despercebido, mas naquela altura, até no Brasil que vivia com a sombra de uma ditadura militar os Stones já eram conhecidos, por conta da Jovem Guarda e o começo do movimento tropicalista. 

O casal chegou a ir até a Bahia, onde participaram do dia da lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Além do mais, alugaram uma casa em Itapoã ficando bem à vontade com a comunidade local, tocando violão, curtindo a praia, e também vivendo experiências, como por exemplo conhecendo o candomblé, principalmente no que diz respeito a música. 

Sympathy For The Devil: a história por trás da canção dos Stones.
Mick e Marianne na Bahia.

Mick conheceu os batuques dos rituais religiosos afro-brasileiros, isso acabou influenciando mais tarde a percussão e o ritmo usado na composição de “Sympathy For The Devil”. 

“As músicas podem se metamorfosear, e ‘Sympathy For The Devil’ é uma daquelas músicas que começou como uma coisa, eu escrevi de uma maneira e então começamos a mudar o ritmo. ficou muito emocionante. Começou como uma música folclórica e depois virou samba. Uma boa música pode virar qualquer coisa. Tem muitas referências históricas e muita poesia.” Relata Jagger.

Sympathy For The Devil: a história por trás da canção dos Stones.

A letra teve inspiração no livro, “The Master Of Margarita”, do autor Mikhail Bulgakov, que Marianne Faithfull deu de presente para Mick Jagger. Na obra, o diabo é uma socialite rica e sofisticada. 

Na época, a imprensa associou Os Stones ao ocultismo, no entanto a intenção de Jagger na canção era mostrar o lado negativo do homem, sempre em busca de riquezas e conquistas a todo custo.

Fatos históricos na letra.

De forma poética a letra repassa a história, como o lavar das mãos de Pilatos no momento da condenação de Cristo, o assassinato dos Czares Russos, os ataques da Blitzkrieg nazista, e a morte dos Kennedy´s. Dando a entender as relações destes acontecimentos com o mal ou com o diabo.

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Na ocasião dos ataques às Torres gêmeas em Nova Iorque, Keith Richard fez um paralelo com a música: 

“Sympathy For The Devil” é igualmente apropriado agora, com o 11 de setembro. Lá está ele de novo, grande momento. Escrevi a música em uma época de turbulência. Foi o primeiro tipo de caos internacional desde a Segunda Guerra Mundial. E a confusão não é aliada da paz e do amor. Você quer pensar que o mundo está perfeito. Todo mundo é sugado por isso. E como a América descobriu, para sua consternação, você não pode se esconder. Você pode muito bem aceitar o fato de que o mal existe e lidar com ele da maneira que puder. Sympathy for the Devil é uma música que diz: Não esqueça-o. Se você enfrentá-lo, ele ficará desempregado”.

No trecho, “E eu coloquei armadilhas para trovadores que são mortos antes de chegarem a Bombaim”. Mick pode estar se referindo aos conflitos entre a Índia e Turquia, mas também aos viajantes hippies que seguiam por aquelas trilhas e eram mortos por saqueadores e traficantes de drogas. 

Processo de gravação.

As gravações aconteceram no mês de Junho de 1968, e o cineasta Jean Luc-Godard, captou cenas do making-off para o documentário “One Plus One”. Diz a lenda que em certa ocasião as luzes se apagavam e acendiam, além disso vários equipamentos acabaram queimados por conta disso.

Os backing vocals de “who, who”, tem as participações de Anitta Pallenberg, Marianne Faithfull, Bill Wyman, Brian Jones, Charlie Watts e Jimmy Miller, que era o produtor do álbum. Veja:

A canção, segundo Keith Richards, também teve influência, sobretudo, de uma música de Robert Johnson chamada “Me And The Devil Blues”. 

Curiosidades.

Uma das versões mais poderosas de “Sympathy For The Devil”, está no filme-documentário, Rock And Roll Circus, gravado em 11 e 12 de dezembro de 1968, com a participação dos Stones, Eric Clapton, John Lennon, Mitch Mitchell, e mais diversos convidados como por exemplo, os músicos do Jethro Tull, The Who e Tony Iommi. 

Duas curiosidades sobre o Rock And Roll Circus, havia a possibilidade do recém criado Led Zeppelin ter participado mas não vingou. Além do mais, a apresentação é o último registro de Brian Jones na banda. Contudo, Michael Lindsay-Hogg teve que convencer o guitarrista a participar das gravações, Brian dizia: “eu odeio os Rolling Stones”. 

Por fim, “Sympathy For The Devil”, ganhou uma versão cover do Guns N´Roses para a trilha sonora do filme, “Entrevista com Vampiro”, protagonizado por Brad Pitt, Tom Cruise e Kirsten Dunst. Assim como, Christian Slater e Antônio Banderas, lançado em 1994.