John Lennon: conheça a história do seu lendário Rolls-Royce psicodélico

O Rolls-Royce Phantom V de John Lennon: Um símbolo da era psicodélica

Em 1965, no auge da Beatlemania, John Lennon comprou um Rolls-Royce Phantom V preto reluzente, com placa FJB 111C, chegando a 110 km/h. O carro logo se tornou um símbolo da extravagância e da criatividade do músico.

Memórias marcantes

O Rolls-Royce de Lennon presenciou diversos momentos históricos da banda. Em 26 de outubro de 1965, os Beatles foram levados no carro, na época ainda todo preto, até o Palácio de Buckingham para receberem a medalha de Membros do Império Britânico.

Quando Bob Dylan esteve em Londres em Maio de 1966, também andou no Rolls Royce com Lennon, inclusive existe um vídeo de ambos dentro do veículo. 

Ainda em 1966, durante as filmagens do filme “How I Won The War” na Espanha, assim como Alemanha, o carro acompanhou Lennon, ostentando um para-choques cromado.

Uma explosão de cores

Mas foi durante o período psicodélico da banda que o Rolls-Royce de Lennon se tornou realmente histórico. Inspirado pela cultura hippie, Lennon decidiu transformar o carro em uma obra de arte psicodélica. O artista Steve Weaver foi contratado para pintar o veículo com diversas cores e símbolos, incluindo flores, estrelas e o icônico olho de Deus. Quando recebeu o carro, Lennon tirou uma foto junto com seu filho Julian, então com 5 anos.

Mimos modernos e brincadeiras memoráveis

O Rolls-Royce de Lennon também tinha alguns mimos modernos para a época, como por exemplo, um rádio e toca-discos com suspensão anti-vibração para evitar que os discos compactos pulassem, e uma TV portátil da Sony, que inclusive aparece na capa do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Na época o canal britânico Pathé TV fez um vídeo do veículo por dentro:

Mas o que realmente tornava o carro especial eram as brincadeiras que Lennon e seus amigos faziam com ele. O carro possuía um sistema de auto-falantes externos que permitia que Lennon falasse com as pessoas de dentro do veículo. Uma das histórias mais famosas contada por Paul McCartney foi a brincadeira que eles fizeram com Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones:

“Lembro-me de estar no Hyde Park, voltando da casa de John em seu grande Rolls-Royce com motorista. John tinha um microfone que ele podia usar com os alto-falantes montados embaixo do carro. Estávamos dirigindo pelo parque, e à nossa frente estava a Austin Princess de Brian. Todo mundo costumava andar nessas grandes Austin Princesses naquela época, era um sinal de que você era uma estrela pop. Você automaticamente ganhava uma dessas. Podíamos ver seu grande chapéu mole e cabelo loiro e podíamos vê-lo fumando um cigarro nervosamente no banco de trás do carro. Então John pegou o microfone e disse: ‘Encoste agora! Brian Jones! Você está preso! Encoste agora!’ Brian pulou. ‘Puta merda!’ Ele realmente pensou que tinha sido pego. Ele estava se cagando! Então ele viu que éramos nós. E nós estávamos dizendo, ‘Yi, yi, yi. Vai se foder!’ dando sinais de V pela janela do carro.” Conforme conta.

O fim de uma era e um novo lar

Em 1968, ao fim da era psicodélica, Lennon cansou do carro e comprou um Phantom V branco, que estava mais perto do período minimalista que vivia já com Yoko. O Rolls-Royce psicodélico, então levado para os Estados Unidos, Lennon usou o veículo como parte de um acordo tributário nos anos 70.

O carro foi vendido pela Sotheby’s por cerca de US$ 2,2 milhões. Hoje, o veículo pertence ao Museu Real da Colômbia Britânica em Victória, Canadá, onde é uma das principais atrações da exposição “All You Need Is Love: The Beatles Story”. Por fim, o veículo frequentemente viaja pelo mundo, emprestado para exposições.