Curta brasileiro, “Amarela”, concorre à Palma de Ouro em Cannes

Filme aborda a busca por pertencimento e os desafios da diáspora asiática no Brasil.

O curta-metragem “Amarela”, escrito e dirigido por André Hayato Saito e produzido por Mayra Faour Auad, assim como, Gabrielle Auad, MyMama Entertainment, está concorrendo à Palma de Ouro na categoria Curta-Metragem do 77º Festival de Cannes. Selecionado entre mais de 4.420 inscritos, o filme é sobretudo, o único latino-americano na disputa e marca a estreia da jovem atriz nipo-brasileira Melissa Uehara nas telas.

Com locações em São Paulo em 1998, “Amarela” acompanha Erika Oguihara (Melissa Uehara). Ela é uma adolescente nipo-brasileira de 14 anos que se divide entre as culturas japonesa e brasileira. Em meio à euforia da final da Copa do Mundo contra a França, Erika enfrenta um episódio de violência que a faz questionar seu lugar no mundo e as complexas relações de identidade que marcam a comunidade nipo-brasileira.

Curta brasileiro, "Amarela", concorre à Palma de Ouro em Cannes

Um olhar autoral sobre a ancestralidade japonesa

“Amarela” é a terceira parte de uma trilogia de curtas de Saito com a MyMama que explora sua ancestralidade japonesa a partir de um olhar íntimo e autoral. A busca identitária teve início com “Kokoro to Kokoro”, que abordou a amizade entre sua avó paterna e sua melhor amiga japonesa, e seguiu com “Vento Dourado”, que retrata a relação entre o cineasta e sua avó materna, Haruko Hirata, nos seus 94 anos.

A produção já coleciona prêmios como Melhor Documentário de Curta-Metragem no Roma Short Film Festival e Menção Honrosa no Tokyo International Film Festival. O filme também foi exibido em importantes festivais como o 40º Festival Internacional do Uruguay. Além de o 24º Festival Internacional do Rio de Janeiro, bem como, Mostra Internacional de Cinema Atlântico.

Um passo para o primeiro longa-metragem

O sucesso de “Amarela” marca um novo capítulo na carreira de Saito, que prepara seu primeiro longa-metragem, “Crisântemo Amarelo”. O projeto, que sintetiza a trilogia de curtas, acabou selecionado para o Torino FeatureLab 2024, programa de desenvolvimento para duplas de direção/produção.

Com temas universais como identidade, pertencimento e os desafios da diáspora, “Amarela” se conecta com públicos de diferentes origens e culturas. Sendo assim, o filme é um convite para refletir sobre as relações entre tradição e modernidade. E acima de tudo, a busca por um lugar no mundo e representatividade na sociedade.

Por fim, assista ao trailer de “Amarela” clicando aqui.