“There Is a Light That Never Goes Out”: a história de um dos maiores hits do The Smiths
A música do The Smiths que marcou filmes, literatura e até a cerimônia das Olimpíadas.
Lançada no álbum The Queen Is Dead, a canção “There Is a Light That Never Goes Out” se tornou um dos momentos mais intensos da carreira do The Smiths. A música apresenta um eu lírico apaixonado, vivido por Morrissey, sentado no banco do passageiro do carro de um possível interesse romântico.
Na letra, ele implora: “Não me deixe em casa”. Tomado pela intensidade do momento, afirma que não se importaria se um ônibus de dois andares colidisse com o carro — morrer ao lado da pessoa amada seria “uma forma celestial de morrer”. A atmosfera dramática da narrativa já foi comparada ao filme Rebel Without a Cause, estrelado por James Dean, ídolo declarado de Morrissey.
A criação da música e a influência do rock clássico
Em 1993, o guitarrista Johnny Marr declarou à revista Select que considerava essa “a melhor música” que já tinha ouvido. Segundo ele, desde a primeira vez que tocaram juntos, ficou claro que estavam diante de algo especial.
Marr também revelou que a introdução foi inspirada na versão de “Hitch Hike”, de Marvin Gaye, gravada pelos The Rolling Stones. A mesma base já havia sido usada pelo The Velvet Underground em “There She Goes Again”. Marr incluiu a referência como uma espécie de “piada interna”, certo de que poucos perceberiam a origem real da influência.
Em entrevista à NME em 2011, ele contou que a gravação aconteceu logo no início do dia e levou cerca de 40 minutos. Quando os quatro integrantes tocaram juntos pela primeira vez, a sensação acabou descrita como mágica. Segundo Marr, se o volume estiver muito alto, é possível ouvi-lo gritar no final: “That was amazing”. Conforme contou.
Cordas sintetizadas e limitações financeiras
A música traz um arranjo de cordas sintetizadas — recurso que inicialmente deixou Morrissey relutante. No entanto, diante da falta de orçamento da banda para contratar músicos de orquestra, a solução eletrônica acabou sendo adotada e se tornou parte essencial da identidade da faixa.
Impacto cultural no cinema, na literatura e nos Jogos Olímpicos
O alcance da música ultrapassou o universo do rock. Em 1993, o escritor Irvine Welsh usou o título da canção como nome de um capítulo de seu romance Trainspotting, no qual o personagem Spud encontra consolo nas letras de Morrissey.
A faixa também marcou presença no cinema. No filme 500 Days of Summer, ela embala uma cena crucial que aproxima os protagonistas, interpretados por Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel.
Em 2012, o diretor Danny Boyle batizou com o nome da música o segmento da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 em que sete jovens atletas acenderam a tocha olímpica.
Lançamento tardio como single e novas versões
Apesar de hoje vista como um hino, a música não saiu como single em 1986. Ela só ganhou esse formato em 1992, para promover a coletânea Best II. Marr explicou que gostava da ideia de que cada álbum tivesse uma faixa que “deveria ser single”, mas que permanecesse como um tesouro do disco.
Em 2005, Morrissey lançou uma versão ao vivo da canção, acompanhada de “Redondo Beach”, de Patti Smith, em um single duplo que alcançou o 11º lugar nas paradas britânicas.
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A música também foi regravada por artistas como Dum Dum Girls, Noel Gallagher e Anberlin. Em 1992, Mikel Erentxun lançou uma versão em espanhol intitulada “Esta Luz Nunca Se Apagará”.
Décadas depois, o verso “To die by your side is such a heavenly way to die” ainda ecoa na cultura pop. Em 2018, o cantor Troye Sivan se inspirou diretamente na frase ao compor “What A Heavenly Way To Die”.
Portanto, entre romance adolescente, referências ao rock clássico e impacto cultural duradouro, “There Is a Light That Never Goes Out” permanece como uma das canções mais emblemáticas dos anos 1980. E por fim, um dos maiores hinos da história do indie britânico.