Ozzy sobre Randy Rhoads: “me deu esperança, um motivo para continuar.”

 

Vocalista revelou que o guitarrista renovou suas esperanças logo depois que saiu do Black Sabbath

Ozzy Osbourne foi expulso do Black Sabbath em 1978, logo após o lançamento do álbum Never Say Die!. O motivo? Suas constantes bebedeiras e a dependência em drogas, principalmente heroína.

Após a saída da banda, Ozzy tentou abrir um bar em sua cidade natal, Newport, junto com sua esposa. No entanto, o empreendimento fracassou, pois ele próprio consumia grande parte do estoque de bebidas. Pouco depois, sofreu mais um duro golpe: sua separação.

“Minha esposa pediu o divórcio, meu pai morreu e minha banda me expulsou. Esse foi um dos piores momentos da minha vida. Mas a minha vida estava prestes a mudar.” Conforme lembra o vocalista. 

Sharon, sua atual esposa e então empresária, recorda bem do que aconteceu após a expulsão do Black Sabbath. “Eu fui buscar o Ozzy na casa depois que ele foi expulso do Black Sabbath e eu o trouxe de volta ao escritório. Daí eu falei pra ele: ‘não se preocupe, nós queremos ajudar’. Acho que ele pensou que estávamos encerrando tudo e que mandaríamos ele para casa.”

Mesmo assim, Osbourne continuava recluso. “Eu não o via há uma semana, então fui atrás dele. Ele só bebia, pedia pizza toda hora, assistia TV e nunca saía do quarto. Ele sentia pena dele mesmo porque não acreditava nele. Aí eu falei, ‘abre uma janela, entra na droga do chuveiro’.”

O recomeço. 

Ozzy sabia que precisava recomeçar e contou com Sharon para o recomeço, mas outro personagem deu vida ao lendário vocalista. “Eu queria ser mais tradicional sem me vender para o mundo do pop. Eu queria ser mais acessível, foi um processo lento no começo, até que conheci alguém que me colocou em contato com Randy Rhoads e tudo começou a se encaixar. Quando conheci Randy, estava muito fora de mim. Ele era tão magro, usando bota de salto. Aí eu ouvi ele tocar e fiquei de boca aberta.”

Inicialmente, Ozzy buscava um baixista, mas as coisas não estavam dando certo. Ele relembra: “Eu bebia muito e estava acabando com tudo a todo tempo. E Dana veio até mim e disse: ‘Eu tenho um guitarrista que você vai…’ Eu nem esperei ela terminar e disse: ‘foda-se os guitarristas, eu só quero ir pra casa, quero sentar numa cadeira e comer minha pizza, ou algo assim’.”

E continuou: “Mas eu lembro que veio até mim, um cara pequeno, com o cabelo loiro, espetado, ‘eu disse, aquilo é um galinha?’. Ele falava muito bem, e de repente meus ouvidos fixaram no que ele estava dizendo. Eu disse, ‘se você quer tocar comigo, toque alguma coisa’. Então, ele começou a tocar e eu estava gostando, mesmo bêbado e chapado. Ele tocou uma das melhores coisas que eu ouvi em minha vida.”

Conta-se que, após terminar de tocar, Randy simplesmente virou as costas e foi embora. Ozzy, então, correu atrás dele de pijama para avisar que ele estava contratado.

Mudança radical.

Sharon se recorda bem desse momento: “Quando ele conheceu Randy, ele mudou da noite para o dia, estava vivo novamente. Randy era engraçado, ousado, era um cara ótimo.”

Ozzy também guarda memórias especiais: “Minha intuição dizia que ele era um cara muito especial. Tipo um presente de Deus. Trabalhávamos tão bem juntos, Randy e eu éramos um time.” Ele acrescentou: Uma coisa que ele me deu foi esperança, um motivo para continuar.”

Sharon lembra que seu pai, o produtor Don Arden, foi quem financiou a carreira solo de Ozzy e o primeiro álbum, Blizzard Of Ozz. “Tivemos sorte do meu pai financiar o primeiro álbum de Ozzy.”

“Ele foi produzido em um gravador de 24 faixas em um bar da Inglaterra, teve muita diversão, bebida, muita festa, e aí então o álbum saiu.” Recorda Osbourne.

O resultado do álbum surpreendeu até Sharon: “Eu esperava muita coisa do Ozzy, mas eu não esperava o que eu ouvi. Ele mostrou para que veio, tínhamos um álbum brilhante que foi feito em seis semanas.”

Lançado em 1980, Blizzard Of Ozz trazia “Crazy Train” como faixa principal, que atingiu os primeiros lugares das paradas britânicas.

Além da parceria musical, Ozzy e Sharon desenvolveram um relacionamento amoroso que ela recorda: “Nós estávamos sempre na estrada e era legal: beber, festejar, destruir quartos, era muito divertido. A gente estava vivendo juntos, mas foi só em agosto de 1980 que começamos a ter um relacionamento. Era a última noite de ensaio e tínhamos dois dias antes de começar a turnê e eu pensei: ‘ah, vai ser a coisa de sempre, você sai com um cara, transa com ele, e no outro dia ele nem te conhece’.”

Mais de quatro décadas depois, Ozzy e Sharon Osbourne seguem juntos, mantendo uma história marcada por altos e baixos, mas também por muito amor e parceria. E por fim, no dia 5 de julho acontece a despedida de Ozzy com o Black Sabbath, em Birmingham na Inglaterra.