Nick Mason colocou Ferrari rara como garantia para salvar turnê do Pink Floyd
Baterista recorreu a carro milionário para bancar turnê histórica do álbum A Momentary Lapse Of Reason.
Em 1987, o Pink Floyd dava um passo decisivo na carreira ao lançar A Momentary Lapse of Reason, o primeiro álbum após a saída de Roger Waters. O disco marca uma virada importante na sonoridade e na dinâmica interna da banda.
O baterista Nick Mason relembra esse momento em sua autobiografia “Inside Out: minha história com o Pink Floyd“. “Foi nesse álbum que incorporamos pela primeira vez quantidades significativas de samples. Eles eram fáceis de manipular e as músicas podiam ser desenvolvidas a partir deles”. Conforme conta.
Na época, Mason enfrentava conflitos com seu próprio estilo de tocar, possivelmente influenciado pelas tensões anteriores com Waters. “Certamente tive dificuldade para tocar algumas partes de modo satisfatório. Com a pressão do tempo, entreguei várias partes para alguns dos melhores músicos de sessão de Los Angeles, incluindo Jim Keltner e Carmine Apice. Uma sensação estranha, era como entregar seu carro a Michael Schumacher”, revelou.
Gambiara contratual.
O período também foi marcado pelo retorno gradual de Richard Wright, que só pôde participar do projeto mais tarde devido a uma cláusula contratual de sua saída em 1981, onde afirmava que não podia voltar ao grupo. Sendo assim, Nick e Dave resolveram chamá-lo como músico contratado, por isso apenas David Gilmour e Nick Mason aparecem nos encartes do álbum.
Grande parte das músicas já estava composta antes das gravações, o que influenciou diretamente o resultado final. “O disco foi muito cuidadoso, assumimos poucos riscos. Isso faz com que eu me sinta um pouco afastado dele, a ponto de nem sempre soar como se fôssemos nós. No entanto, ‘Learning to Fly’ parece muito familiar”, explicou Mason.
O álbum reúne faixas marcantes como “Sorrow”, “Signs of Life”, “Dogs of War” e “On the Turning Away”.
A capa ficou a cargo de Storm Thorgerson, colaborador histórico da banda. A imagem icônica com centenas de camas foi fotografada na praia de Saunton Sands, enfrentando sol, chuva e marés. Cada cama representava diferentes perfis — loucos, sonhadores e doentes —, conectando-se simbolicamente às músicas.
Penhor de uma Ferrari

Apesar do peso do nome do Pink Floyd, financiar a turnê ainda era um desafio. “Não havia filas de marcas na nossa porta. A única forma viável era David e eu bancarmos os custos”, contou Mason.
Foi então que o baterista tomou uma decisão radical: empenhou sua valiosa Ferrari 250 GTO 1962 para viabilizar a turnê em uma casa de penhor de luxo. O veículo estava avaliado em US$ 51 milhões de dólares. “Não podíamos colocar todos os ingressos à venda e usar o dinheiro adiantado. A única forma viável a fazer era David e eu bancarmos os custos”.
Por fim, o risco compensou. A série de shows, realizada entre 1987 e 1989, arrecadou cerca de US$ 135 milhões, garantindo o retorno do investimento — e da lendária Ferrari ao seu dono, que a mantém até hoje como uma das joias de sua coleção.