“Mother”: Roger Waters expôs relação com a mãe em clássico do Pink Floyd

Faixa de “The Wall” nasceu das experiências pessoais de Roger Waters com a mãe.

Lançado em 1979, The Wall é uma das obras mais emblemáticas do Pink Floyd. O álbum conceitual e semiautobiográfico criado por Roger Waters acompanha a trajetória de um garoto que perde o pai na guerra e cresce sob os cuidados de uma mãe superprotetora, enfrentando isolamento emocional e dificuldades para se conectar com o mundo adulto.

Entre as músicas mais marcantes do disco está “Mother”, faixa que se tornou um dos grandes clássicos da banda britânica. A canção aborda justamente a influência materna na vida do personagem Pink, refletindo experiências pessoais vividas por Waters durante a infância.

O próprio músico falou abertamente sobre sua relação com a mãe em entrevistas ao longo dos anos. “Minha mãe estava sufocando à sua maneira. Ela sempre teve que estar certa sobre tudo. Não a estou culpando. Era isso que ela era. Cresci com uma mãe solteira que nunca conseguia ouvir nada do que eu dizia, porque nada do que eu dizia poderia ser tão importante quanto o que ela acreditava”.

Mãe como uma parede

Em outro momento, Waters aprofundou ainda mais a reflexão sobre o tema. “Minha mãe era, até certo ponto, uma parede contra a qual eu batia a cabeça. Ela viveu sua vida a serviço dos outros. Ela era professora. Mas foi só quando eu tinha 45, 50 anos que percebi o quão impossível era para ela me ouvir.”

O baixista e compositor também explicou à revista Mojo que a mãe retratada em “Mother” representa algo mais amplo do que apenas sua própria história. “Ela não é tão reconhecível. A música é mais geral, a ideia de que podemos ser controlados pelas opiniões dos nossos pais sobre coisas como sexo. A mãe solteira de meninos, em particular, pode tornar o sexo mais difícil do que o necessário.” Conforme lembra.

Na narrativa de The Wall, o personagem Pink vive em dilemas, e trazendo reflexões através das composições. Como por exemplo, em “Mother”, traz perguntas carregadas de insegurança e dependência emocional:

“Mãe, você acha que eles vão lançar a bomba?
“Mãe, você acha que eles vão gostar dessa música?”

E então, em outro momento, a música reforça o comportamento protetor da personagem:

“Mamãe vai colocar todos os seus medos em você
Mamãe vai manter você aqui sob sua proteção”

A relação sufocante entre mãe e filho também aparece quando Pink questiona seus relacionamentos amorosos:

“Mãe, você acha que ela é boa o suficiente para mim?
“Mãe, você acha que ela é perigosa para mim?”

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“Mother” se destacou em The Wall por funcionar perfeitamente como uma música independente, mesmo dentro de um álbum totalmente conceitual. A faixa possui começo e fim bem definidos, algo raro no disco, em que as canções costumam se conectar diretamente umas às outras.

Mesmo sem ter sido lançada oficialmente como single, “Mother” ganhou enorme espaço nas rádios de rock clássico e acabou se tornando uma das músicas mais populares do Pink Floyd.

A gravação também guarda curiosidades importantes. O baterista Nick Mason não participou da faixa porque tinha dificuldades em acompanhar o compasso 5/4 da música. A bateria acabou sendo gravada por Jeff Porcaro, integrante da Toto. Mason revelou o episódio em sua autobiografia, “Nick Mason, minha história com o Pink Floyd”.

No entanto, outra curiosidade envolve o Pearl Jam, que apresentou “Mother” em 2011 durante uma homenagem ao Pink Floyd no programa de Jimmy Fallon.

Por fim, a música termina de maneira sutil e simbólica, com um leve toque de telefone ao fundo enquanto Roger Waters pergunta: “Mãe, precisava ser tão alto?”