Keith Richards manda recado: “Ninguém se torna um herói só porque usa droga”

Guitarrista dos The Rolling Stones relembra crises, humilhações e perigos vividos no auge da dependência

O lendário guitarrista Keith Richards sempre abriu detalhes brutais sobre seu passado com drogas pesadas, especialmente durante os anos 1970, fase em que mergulhou no vício em heroína, cocaína e álcool.

Os relatos fazem parte da autobiografia Vida, onde o músico descreve, sem filtros, como era sua rotina em meio à dependência. E acima de tudo, incluindo crises de abstinência e situações degradantes.

Contexto: o auge do vício nos anos 70

Durante o período mais intenso da carreira dos Rolling Stones, Richards vivia uma rotina marcada pelo consumo constante de drogas. Segundo o próprio artista, o uso deixou de ser recreativo e passou a ser uma necessidade diária para manter o corpo funcionando.

Inclusive recordando como lidava com as crises de abstinência:

“Quando você é um junkie, o veneno é o seu pão de cada dia. Você já não faz altas viagens. Há junkies que estão sempre aumentando a dosagem, é por isso que acontecem as overdoses. Para mim, a coisa se tornou apenas manutenção. Eu tomava pico para definir a atmosfera do dia. As vezes passávamos períodos agonizantes em que havia uma seca, e minha mulher ficava me perturbando, dizendo: “Eu quero o …Eu também, querida, mas temos que esperar o veneno.”

E completa, “Quando havia uma seca de heroína a coisa ficava feia. A pressão era enorme. Você via as pessoas esparramadas pela sala num estado deprimente, vomitando. Você literalmente andava sobre corpos. E as vezes não havia uma seca de verdade. Eles faziam isso só para aumentar o preço. E não importava quanto dinheiro você tinha. Eu não ia chegar para os caras e dizer: “Você sabe com quem está falando?” Eu sou apenas mais um junkie”. Recorda.

Situações extremas e risco constante

Richards relata que o vício — ao qual se referia como “veneno” — o levou a frequentar locais perigosos e degradantes em busca de drogas.

“Quando a heroína está em falta mesmo, você tem de ir aos lugares mais sórdidos, sabendo que vai encontrar um pouco de piranhas lá. Isso aconteceu comigo algumas vezes no East Side, em Nova York, e em Los Angeles. Nós conhecíamos o truque — a heroína ficava no andar de cima, e quando você descia as escadas alguém roubava o veneno de você lá embaixo”.

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O guitarrista circulava em ambientes ligados ao submundo do crime. “Muitas vezes eu escutava isso acontecendo a outras pessoas enquanto estava esperando a minha vez. O negócio era sair de fininho, e se você visse alguém do lado de fora — porque você nunca sabia se ia ser roubado ou não — normalmente dava um chute nos colhões do sujeito”.

Ele também relembra um dos momentos mais humilhantes vividos durante a dependência, em Paris.

“Lembro-me de que uma vez estava numa discoteca em Paris, onde eu tinha marcado de me encontrar com o fornecedor, e estava passando muito mal. As pessoas dançavam ao redor daquelas bolas de espelho, e eu fiquei enfiado embaixo de um banco, me escondendo e vomitando porque o cara ainda não tinha chegado. E ao mesmo tempo me perguntava: “Será que o cara vai conseguir me encontrar aqui embaixo?”

E conta aliviado. “Quando ele chegou, talvez dê uma olhada em volta, não me veja e se mande. Eu estava mentalmente perturbado. Graças a Deus o cara me encontrou. Mas quando Você se encontra numa posição dessas, ao mesmo tempo em que é o número um, percebe até onde afundou. Só o fato de se ver numa situação assim provoca um sentimento de autopropaganda do qual você não se livra facilmente”.

Reflexão e mensagem sem moralismo

Hoje, aos 83 anos, Keith Richards faz uma reflexão direta sobre o passado, sobretudo, sem tentar romantizar o vício.

“Ninguém se torna um herói só porque usa droga. Herói é quem consegue se livrar delas. Eu adorava o veneno. Mas tinha que dar um basta naquilo. Outra coisa é que essa vida estreita muito os seus horizontes, e eventualmente todos os seus amigos são junkies. Eu precisava alargar meus horizontes. Você só descobre tudo isso quando larga a droga, é claro. E isso que a heroína faz. Ela é a pirralha mais sedutora do mundo”.

Novo lançamento chama atenção dos fãs

Além das revelações, os Rolling Stones movimentaram os fãs neste sábado, (11) com o lançamento da faixa “Rough and Twisted”, divulgada sob o codinome “The CockRoaches” — apelido já utilizado pela banda nos anos 80.

Contudo, a música ainda não chegou às plataformas digitais somente em bolachão, mas rapidamente começou a circular nas redes após fãs adquirirem o vinil em lojas físicas e compartilharem trechos online. Então, confira:

@navecriativa

Os Rolling Stones lançaram uma nova faixa, “Rough and Twisted”, sob o codinome de The cockroaches. A música foi lançada somente em vinil, mas uns fãs foram até uma loja de discos compraram o LP, gravaram um vídeo e postaram nas redes sociais. Confira #therollingstones #thecockroaches , #roughandtwisted #rockclassico

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