Keith Richards faz 80 anos: conheça a história quando músico levou o filho de 7 anos para uma turnê.

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Guitarrista dos Rollings Stones, completou 80 anos nesta terça-feira

Nesta terça-feira, 28 de dezembro, Keith Richards celebra o seu octogésimo aniversário. O lendário guitarrista, um dos membros fundadores dos Rolling Stones ao lado de Mick Jagger, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts nos primórdios da década de 60, é uma figura clássica na história da música. Juntamente com os Beatles, a banda tornou-se parte essencial do movimento conhecido pela mídia americana como “Invasão Britânica”, deixando uma marca no cenário fonográfico tanto nos Estados Unidos quanto ao redor do mundo.

Ao longo de seis décadas de carreira, os Rolling Stones continuam a ser uma força no cenário do rock. No último mês de outubro, lançaram o álbum “Hackney Diamonds”, demonstrando uma vitalidade artística que perdura ao longo do tempo. 

Keith Richards, apesar de suas oito décadas de vida, sempre expressou seu espanto por ainda estar vivo. O músico enfrentou desafios consideráveis devido ao abuso de drogas e álcool, assim como inúmeras controvérsias ao longo de sua trajetória.

Turnê com a presença do filho de 7 anos.

Keith Richards faz 80 anos: conheça a história quando músico levou o filho de 7 anos para uma turnê.
Keith na Bélgica com Marlon. Foto Annie Leibovitz.

Na sua autobiografia “Vida”, lançada em 2010, Keith lembra quando em 1976, seu filho Marlon, então com 7 anos, acompanhou a banda durante alguns shows na Europa. Anita Pallenberg, que tinha um relacionamento com Keith, tinha acabado de dar à luz a Tara; mesmo assim, o músico partiu para uma turnê de 3 meses, levando Marlon como companheiro de viagem. A presença do filho era uma forma de Keith segurar seu vício em álcool e drogas.

Apesar do ambiente completamente hostil para uma criança, Marlon tinha algumas funções importantes. Uma delas era acordar o pai, pelo fato de que Keith se irritava muito quando era acordado, e a única pessoa com quem ele não se aborrecia era o filho. Keith lembra da insistência para o guitarrista levantar, dizendo: “Pai, agora está na hora mesmo”. Keith respondia, “Isso quer dizer que não posso mais dormir duas horas?” Marlon dizia: “Eu já segurei eles o máximo que pude”.

No livro “VIDA”, Marlon conta que os fãs tentavam chegar ao seu pai através dele, “Nós dividimos um quarto de hotel com duas camas. Eu o acordava e pedia o serviço de quarto que trouxesse o café da manhã, sorvete e bolo. As garçonetes sempre ficavam com peninha de mim. E aprendi rápido a lidar com o pessoal que queria chegar no meu pai através de mim, me livrava deles dizendo, ‘olha não quero mais ver você aqui, vá embora’”.

Ao mesmo tempo, Richards lembra na autobiografia que a presença do filho Marlon também o ajudou quando queria se livrar de pessoas. Ele dizia: “Tenho que colocar o Marlon para dormir”.

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Histórias inventadas

Keith com Marlon. Foto Annie Leibovitz.

Keith Richards lia histórias de Tintin e Asterix para Marlon pegar no sono, no entanto, o garoto descobriu anos depois que os livros que o pai lia eram todos em francês, sendo que o músico não falava a língua. Ou seja, ele inventava as histórias.

Marlon diz no livro que não se traumatizou por viver em um ambiente de farra, drogas e bebidas. “Na época aquilo não me pareceu traumático, eu achava o maior barato ir a shows todas as noites em cidades diferentes. Eu ficava acordado até às cinco da manhã e dormia até às três da tarde”.

Linda Keith deu a guitarra de Keith Richards para Jimi Hendrix.

Morte de Tara

Contudo, um fato trágico aconteceu durante este período. Anita há poucos meses havia dado à luz a Tara, filho dela com Keith; contudo, quando os Stones estavam em Paris, Richards recebeu a notícia de que o bebê havia morrido no berço. 

Perguntaram se eles iam cancelar o show, Keith foi enfático, “É claro que não vamos cancelar o show”. E completou: 

“Não havia mais nada o que fazer, estava consumado. Ponto final. Ou deveria sentar ali e ficar me lamentando e enlouquecer e começar a fazer não sei o que? Ligue para Anita, e é claro ela estava em prantos, mas tinha que ficar lá, cuidar da cremação e ser interrogada por todos aqueles médicos legistas. A única coisa que eu podia fazer era proteger o Marlon daquilo tudo. A única coisa que me mantinha em pé era o Marlon e a rotina diária de cuidar de um menino de sete anos na estrada. Acabei de perder meu segundo filho, e não vou perder meu primeiro de jeito nenhum”.