John Frusciante: o motivo por trás das marcas no corpo do guitarrista do Red Hot.
Após perdas, vícios e quase morte, John Frusciante ainda guarda marcas do seu período “buraco negro”.
Foto capa: Raph_PH, CC BY 2.0
Após a morte de Hillel Slovak, guitarrista e fundador do Red Hot Chili Peppers, ocorrida em 25 de junho de 1988, a banda deu uma pausa, com Anthony Kiedis indo para uma clínica de reabilitação, Flea trabalhando em projetos paralelos e Jack Irons desistindo do grupo e viajando para Seattle.
A volta acontece no mesmo ano com a entrada do jovem guitarrista John Frusciante, que na época tinha 18 anos. Fã declarado da banda, ele tocava de forma semelhante a Hillel, mas com uma linha melódica mais definida. Sua estreia aconteceu no álbum Mother’s Milk.
No entanto, é no álbum Blood Sugar Sex Magik que acontece a grande virada do grupo. O disco traz músicas como “Give It Away”, “Under The Bridge”, “Lovely Man”, e o Red Hot alcança o número 1 nas paradas da Billboard e MTV, iniciando uma intensa turnê mundial.
Contudo, John Frusciante não aguenta a pressão da fama, principalmente por não aguentar a pressão de Anthony Kiedis e Flea, que eram os donos da banda e acaba deixando o grupo em 1992. O guitarrista se autosabotava, o que prejudicava o grupo, como na apresentação de “Under The Bridge” no Saturday Night Live, onde faz um andamento diferente e no momento do backing vocal dá gritos no microfone.
Buraco negro.
Após a saída, John ainda tocou em raros projetos paralelos, mas afundou no vício de heroína, principalmente entre 1994 e 1997.
O guitarrista passava o dia em casa se drogando, tomando picos por todo o corpo, rodeado de guitarras. Seu corpo começou a ficar com marcas irreparáveis por não mais injetar nas veias, mas nos músculos. Pulsos, braços e ombros apresentavam sinais que pareciam queimaduras, e por muito tempo se acreditou que eram resultado de um incêndio ocorrido na sua casa.

Outras marcas eram deixadas por cigarros que ele apagava no próprio corpo. Para completar, devido à desnutrição e infecções constantes, chegou a pesar cerca de 40 kg. John Frusciante perdeu todos os dentes e precisou passar por cirurgias e implantes, inclusive para disfarçar as marcas dos picos no corpo. O período era tão negro que John Frusciante foi encontrado todo sujo na calçada do clube Viper Room em Los Angeles pelo vocalista do Anthrax.
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O músico acabou internado em uma reabilitação em 1998, quando retornou ao Red Hot para a gravação de Californication. Em uma entrevista no ano de 2001 para a MTV, ele contou sobre o período.
“Nenhuma das dificuldades, como perder dinheiro, ou perder meu talento, nenhuma dessas coisas realmente me fez querer parar. Porque eu podia sentir onde as minhas estrelas estavam, e eu tinha as vozes na minha cabeça me dizendo o quão longe eu podia ir. E eu fui exatamente até lá, e depois parei”.
No entanto, revela que esteve perto de morrer. “Quer dizer, eu estava muito perto de morrer por muito tempo, mas eu sabia que não ia morrer. Agora eu entendi que você pode ter todas essas sensações naturalmente, então não há razão para tomar drogas”.
E o vocalista do Red Hot Chilli Peppers, Anthony Kiedis na época contou que considerava a saída do amigo do vício como um milagre. “É como se estivéssemos flutuando no meio de um milagre, com o John saindo dos buracos escuros da realidade negra”.
John Frusciante deixou a banda novamente em 2012 para se dedicar a projetos pessoais e só retornou em 2019. Desde então, parte do público percebe uma mudança em sua postura no palco, com uma atuação mais contida e menos intensa do que em fases anteriores.
Essa impressão também se estende ao Red Hot Chili Peppers como um todo, já que alguns fãs apontam apresentações mais protocolares, dando a sensação de que a banda cumpre turnês com foco nos compromissos profissionais, e não necessariamente com a mesma energia de outros momentos da carreira.
