Há 50 anos, o Deep Purple lançava “Stormbringer”, incorporando groove e soul ao seu som.
O álbum tem uma menor participação de Ritchie Blackmore, com mais espaçao para Coverdale e Glenn Hughes.
Foto: Chris Walters site oficial do Deep Purple
Em novembro de 1974, o Deep Purple lançava “Stormbringer”, seu nono álbum de estúdio e o segundo com a formação MKIII, que trazia David Coverdale nos vocais e Glenn Hughes no baixo. Com produção assinada pela banda junto a Martin Birch, o disco marca uma mudança significativa no som do grupo, introduzindo uma pegada mais “groove” em contraste com o estilo pesado e agressivo de seu antecessor, “Burn”. Essa transformação se deve, em parte, à pouca participação de Ritchie Blackmore no processo de composição, como explicou Hughes em entrevista à Guitar World:
“Quando fomos criar Stormbringer, Ritchie Blackmore não apareceu com nenhuma música. Então, a tarefa coube a mim, David Coverdale e Jon Lord. E colocamos mais influências de groove. Seria uma burrice para mim e David tentar imitar Ian Gillan e Roger Glover. Não faria sentido”. Conforme contou.
Com o protagonismo maior de Hughes e Coverdale na criação, “Stormbringer” se destaca por incorporar elementos de funk e soul, ampliando o leque de influências da banda e distanciando-se das raízes puramente hard rock que vinham dominando o som do Deep Purple. Faixas como “Love Don’t Mean a Thing” e “You Can’t Do It Right” exemplificam bem essa abordagem rítmica, enquanto “Lady Double Dealer” e “Soldier of Fortune” conservam a intensidade e o virtuosismo que marcaram a trajetória da banda.
A capa
A capa do álbum é também um elemento icônico, baseada em uma fotografia de um tornado que passou pela cidade de Jasper, Minnesota, em 1927. Registrada por Lucille Handberg, a imagem foi editada para incluir um pégaso e ajustada para destacar o tema místico e tempestivo do disco. Portanto, a capa emblemática complementa o tom do álbum. Principalmente, evocando a força e a imprevisibilidade da música do Deep Purple.
Com nove faixas, “Stormbringer” conta com a habilidade de cada integrante: Coverdale nos vocais principais (exceto em “Holy Man”, liderada por Hughes), Blackmore na guitarra, Lord no órgão e teclados, e Paice na bateria. Essa formação trouxe uma química única, resultando em uma obra que transcende o hard rock, explorando novos territórios sonoros e mantendo o Deep Purple como uma das bandas mais inovadoras da época.
Faixas do álbum:
- Stormbringer
- Love Don’t Mean a Thing
- Holy Man
- Hold On
- Lady Double Dealer
- You Can’t Do It Right
- High Ball Shooter
- The Gypsy
- Soldier of Fortune
Por fim, “Stormbringer” é uma verdadeira peça de transição na discografia do Deep Purple. E acima de tudo, evidencia a versatilidade do grupo e reforçando sua relevância no rock mesmo com a tensão e mudanças internas.
