Guilherme Arantes reage após ser acusado de ter origem na elite paulistana
Guilherme Arantes reage a crítica sobre origem e expõe trajetória de luta
O cantor e compositor Guilherme Arantes usou as redes sociais para responder a uma crítica feita por um internauta identificado como Marco Antônio. Nos comentários de uma publicação, o usuário afirmou que o artista só teria alcançado sucesso na música brasileira por vir de uma família da elite paulistana e por nunca ter enfrentado dificuldades financeiras.
A resposta de Guilherme Arantes foi longa, detalhada e carregada de relatos pessoais. O músico rejeitou a acusação e fez questão de destacar a trajetória de esforço que marcou sua vida e a história de sua família.
“Eu vivi a minha vida pegando o mesmo busão às 4 da manhã. CMTC. Largo da Concórdia. Não fui criado para burguês. Nunca ganhei carro, não tive calça Levis”. Conforme escreveu o artista.
Segundo Arantes, sua criação contou com disciplina e trabalho. Ele também relembrou as dificuldades enfrentadas por seus pais antes mesmo de seu nascimento.
O cantor contou que seu pai, o médico Gelson Arantes Lima, precisou superar obstáculos para concluir os estudos. “Meu pai, meu maior exemplo na vida, se formou médico em 1° lugar na Pinheiros, com um esforço descomunal, dando aulas em cursinhos pra comprar os livros de Medicina”, afirmou.
Trabalho árduo.
O relato ficou ainda mais pessoal quando Guilherme revelou que o pai trabalhou desde criança para ajudar a família após a morte do avô.
“Quando criança, o Dr. Gelson Arantes Lima teve até que entregar marmita e engraxar sapatos, quando minha avó ficou viúva com quatro filhos para criar”, escreveu.
Ao longo do texto, o compositor também relembrou sua formação em escolas públicas de São Paulo e os desafios enfrentados para entrar no mercado musical.
“Estudei em Escolas Estaduais. Não tive carro, lutei contra tudo e contra todos, sentei no humilde banco dos calouros das gravadoras”, declarou.
O artista destacou ainda que recusou seguir caminhos considerados mais fáceis para alcançar a fama. Entre os exemplos citados, ele mencionou a decisão de não cantar em inglês e a participação em programas de calouros da televisão brasileira.
LEIA TAMBÉM: Barão Vermelho anuncia novas datas da turnê com formação original
Guilherme Arantes também relembrou o período da ditadura militar e afirmou que enfrentou os impactos da censura na música nacional.
“Eu sou o operário da MPB que ralou e comeu o pão que o diabo amassou, quando a Censura e o AI-5 desceram a lenha e acabaram com os Festivais e musicais na TV”, escreveu.
Preconceito no meio artístico.
Em outro trecho, o cantor criticou o que chamou de preconceito sofrido durante décadas por não pertencer a grupos influentes do meio artístico.
“Fui chamado de brega e cafona, fui sacaneado décadas a fio pela Inteligentzia lacradora, porque não nasci carioca e não pertenci a movimentos nem patotas para me protegerem.”
O desabafo também incluiu lembranças dos empregos que exerceu antes do sucesso. Arantes contou que trabalhava na Secretaria de Bem-Estar Social, recebendo salário mínimo, enquanto tentava construir sua carreira musical.
“Quando lancei minha primeira música, eu trabalhava na Secretaria de Bem-Estar Social, concursado por exame para estagiário, ganhando salário mínimo”, revelou.
E acima de tudo, na parte final da publicação, o artista reforçou sua identificação com o brasileiro comum e respondeu diretamente ao comentário que motivou a discussão.
“Eu sou o Guilherme Arantes do povão, do Prato-Feito, do Largo Treze, da Santa Ifigênia. E vou ser sempre assim com cabeça erguida.”
Por fim, encerrando o texto, o cantor deixou a frase mais forte de toda a resposta, resumindo a mensagem que quis transmitir sobre sua origem e sua trajetória. “Eu sou o Brasil. O de verdade, não o de mentirinha!”