Documentário sobre Jair Bolsonaro estreia com sessões vazias e omite condenação

Longa produzido por Mario Frias estreia nos cinemas, mas chama atenção por baixa procura e ausência de fatos

O documentário “A Colisão dos Destinos”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, estreou nos cinemas nesta quinta-feira (14) cercado por polêmicas, sessões esvaziadas e críticas sobre o conteúdo apresentado no longa.

Com 70 minutos de duração, o filme marca a estreia de Doriel Francisco na direção e tem produção do ex-secretário de Cultura Mario Frias. O roteiro é assinado por Doriel Francisco e William Alves, enquanto o argumento leva os nomes de Eduardo Bolsonaro e Mario Frias.

O lançamento acontece em meio à repercussão de mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil, envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Nas conversas, Flávio menciona o filme “Dark Horse”, produção de ficção estrelada por Jim Caviezel, sem ligação direta com “A Colisão dos Destinos”.

Segundo as mensagens reveladas, Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 61 milhões para financiar “Dark Horse”. Daniel Vorcaro está preso em Brasília e é investigado pela Polícia Federal por suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.

Sessões vazias marcam estreia do documentário

Apesar da divulgação nacional, o documentário teve baixa procura nas primeiras sessões. De acordo com o site oficial da produção, o longa estreou em estados de todas as regiões do Brasil, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Ceará.

Em uma das sessões acompanhadas pelo g1, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, apenas sete pessoas estavam presentes. Outras salas do interior paulista registravam entre cinco e seis ingressos vendidos pouco antes das exibições.

Antes da estreia oficial, o filme teve pré-estreias para convidados em cidades como Brasília, São Paulo, Recife, Curitiba e Fortaleza.

Filme mostra “versão humanizada” de Bolsonaro

Nas peças de divulgação, o documentário promete apresentar uma “versão humanizada” e a “história não contada” de Jair Bolsonaro. O longa reúne depoimentos do próprio ex-presidente, familiares, aliados políticos e assessores próximos.

Entre os entrevistados estão os deputados Nikolas Ferreira e Hélio Lopes, além de Mario Frias e Gil Diniz. Já Michelle Bolsonaro não participa do filme.

A produção relembra a infância, a carreira militar e a trajetória política de Bolsonaro até chegar à Presidência da República. No entanto, evita abordar episódios controversos do governo.

Documentário ignora CPI da Covid e derrota nas eleições

Durante o trecho dedicado ao período presidencial, o filme destaca falas de aliados defendendo a atuação de Bolsonaro na pandemia. Em um dos depoimentos, Hélio Lopes afirma que o ex-presidente “não errou uma” durante a crise sanitária.

O longa, porém, não menciona que a CPI da Covid pediu o indiciamento de Bolsonaro em 2021 por supostos crimes relacionados à condução da pandemia.

A produção também relembra o atentado sofrido por Bolsonaro em 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Familiares afirmam que o episódio teria fortalecido o então candidato.

“Falo com tranquilidade: ele é um escolhido de Deus”, declara Flávio Bolsonaro em uma das cenas finais do documentário.

O encerramento mostra imagens de Bolsonaro sendo ovacionado por apoiadores em eventos e palanques políticos. Apesar disso, o filme não cita a derrota do ex-presidente nas eleições de 2022 nem sua condenação em 2025.