Como o Pink Floyd criou “Echoes”: a história por trás da obra-prima

Faixa de 23 minutos do álbum Meddle nasceu de experimentos em estúdio, ganhou história em Pompeia

Considerada uma das obras mais ambiciosas da carreira do Pink Floyd, “Echoes” marcou uma nova fase criativa da banda. Com 23 minutos de duração, a música ocupa todo o lado B do álbum Meddle, lançado em 1971, e continua sendo uma das composições mais admiradas pelos fãs.

A canção surgiu de apresentações ao vivo, passou por diversas transformações durante sua criação e ganhou um significado profundo, explicado anos depois por Roger Waters.

Como nasceu “Echoes”

Antes de receber o nome definitivo, a composição era conhecida como “Return of the Son of Nothing”. A música evoluiu a partir de uma peça apresentada pelo Pink Floyd durante um show no Crystal Palace Garden Party, inicialmente descrita pela banda como uma brincadeira com histórias em quadrinhos e continuações de filmes de monstros como Godzilla.

A composição também serviu como homenagem ao compositor minimalista Terry Riley.

Durante as gravações de Meddle, os integrantes registraram 24 fragmentos musicais, identificados apenas como “Nothing, Parts 1–24”. Aos poucos, essas ideias foram sendo unidas até dar origem à versão final de “Echoes”.

Na época, era comum que cada integrante escrevesse suas músicas separadamente. “Echoes” marcou uma das primeiras composições criadas coletivamente pelo grupo depois de um longo período.

Roger Waters explicou o verdadeiro significado da música

Em entrevista à revista Rolling Stone, Roger Waters revelou qual era sua intenção ao escrever a letra.

“O potencial que os seres humanos têm para reconhecer a humanidade uns dos outros e responder a isso com empatia, em vez de antipatia.”

Segundo o músico, esse era o conceito central da obra, que buscava abordar conexão humana e compreensão entre as pessoas.

Sons que surgiram por acaso

Vários dos sons mais famosos de “Echoes” nasceram de acidentes durante as gravações.

O tecladista Richard Wright descobriu o famoso som de piano ao passar o instrumento por um alto-falante Leslie giratório e pelo equipamento de eco Binson Echorec.

Então, o engenheiro de som John Leckie contou que o efeito apareceu inesperadamente.

“Rick Wright disse: ‘Podemos passar o piano pelo Leslie?’ (…) Toda vez que ele tocava aquela nota, surgia uma microfonia. Todo mundo disse: ‘Nossa, escutem isso.'”

Outro efeito marcante também aconteceu por acidente. O famoso som semelhante ao canto de uma gaivota, executado por David Gilmour, surgiu porque um técnico conectou um pedal wah-wah de forma invertida.

Segundo Wright:

“Um dos roadies ligou o pedal wah-wah ao contrário, criando uma enorme parede de feedback. David começou a brincar com aquilo e criou esse belo som.”

Contudo, Já o trecho que lembra o vento foi produzido por Roger Waters utilizando um slide em seu baixo.

A ligação com “O Fantasma da Ópera”

Anos depois, Roger Waters afirmou ter percebido semelhanças entre “Echoes” e a abertura do musical The Phantom of the Opera.

Segundo ele:

“O começo daquela maldita música de Phantom veio de ‘Echoes’. É o mesmo compasso — 12/8 —, a mesma estrutura, as mesmas notas e praticamente tudo igual.”

No entanto, a declaração gerou debates entre fãs de ambas as obras.

O inesquecível show em Pompeia

Em 1971, o Pink Floyd gravou uma das apresentações mais famosas da história do rock no antigo anfiteatro de Anfiteatro de Pompeia.

No local, destruído pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., a banda executou “Echoes” Partes I e II sem plateia. O registro deu origem ao lendário filme-concerto Pink Floyd: Live at Pompeii, afinal considerado um dos maiores documentários musicais já produzidos.

David Gilmour recusou tocar a música sozinho

Após a morte de Richard Wright, David Gilmour explicou por que não pretendia mais apresentar “Echoes” em shows solo.

Por fim, em entrevista à Rolling Stone, o guitarrista afirmou:

“Sim, seria maravilhoso tocar ‘Echoes’ aqui. Mas eu não faria isso sem Rick. Existe algo muito específico na maneira como eu e Rick tocávamos essa música que ninguém consegue simplesmente aprender e reproduzir. Não é disso que a música se trata.” Conforme lembrou.