Centro Cultural Veras inaugura exposições e reúne artistas e amplia experiências visuais
O Centro Cultural Veras abre ao público, neste sábado (18), uma nova programação de exposições em Florianópolis. A abertura acontece às 14h, com a presença dos artistas Ricardo Barcellos, Renata Cruz e Theodoro Autops.
Com curadoria de Josué Mattos, a programação ocupa diferentes ambientes do espaço, no bairro Córrego Grande, e propõe um diálogo entre imagem, experiência e espaço. A iniciativa reforça o papel do centro cultural como um polo de experimentação artística contemporânea.
A principal mostra é A gota d’água, de Ricardo Barcellos, que reúne vídeos de diferentes momentos da carreira do artista. Com trajetória marcada pela fotografia e reconhecimento internacional — incluindo premiação em Cannes e exposições em instituições como a Pinacoteca de São Paulo e o MASP — Barcellos apresenta um recorte que evidencia sua versatilidade.
O destaque da exposição é a videoinstalação Demasiado (2013–2026), composta por duas projeções que mostram retratos de fisiculturistas alterados pelo gotejamento constante sobre um espelho d’água. A obra, repensada para o espaço, investiga a construção da imagem e a projeção de identidade.
“A proposta desloca o olhar do campo puramente visual para uma experiência sensível”. Conforme indica a curadoria ao apresentar o conceito da mostra.
Ficção e realidade.
Na Sala Mira, o espaço é transformado em um ambiente de microcenas que tensionam os limites entre ficção e realidade, criando experiências imersivas que convidam o público à fabulação.
A programação inclui também Área de soltura, de Renata Cruz, instalação que trabalha a relação entre desenho, espaço e liberdade. A artista utiliza como base simbólica páginas de livros abertas e o voo de pássaros, aproximando leitura e imaginação de processos de expansão e reintegração.
No mezanino, a exposição ganha um caráter coletivo com trabalhos produzidos por alunos de oficinas ministradas pela artista, formando uma espécie de “revoada” visual.
Já Theodoro Autops apresenta Ele viu através do escuro, uma intervenção inédita que ocupa diferentes áreas do centro cultural. A obra propõe um percurso narrativo sobre a jornada de um jovem em direção ao desconhecido, dialogando com realidades de vulnerabilidade social.
A proposta amplia o alcance da arte ao estabelecer conexões com a comunidade. Em parceria com o Projeto Dorcas, em Palhoça, adolescentes participam de oficinas de histórias em quadrinhos e da criação de um mural coletivo.
Segundo Josué Mattos, “o percurso criado por Theodoro Autops deixa de ser apenas narrativo para se configurar como um campo de elaboração concreta da experiência”, reforçando o impacto social da iniciativa.
A nova programação do Centro Cultural Veras transforma o espaço em um território de experimentação e encontro entre arte e realidade. Ao cruzar linguagens e vivências, as exposições convidam o público a repensar o olhar — e deixam no ar uma provocação: até onde a arte pode transformar experiências?
