Cara-De-Barro recebe críticas por terror fraco e roteiro previsível na DC
O novo filme da DC aposta no terror, mas decepciona com roteiro previsível e pouco assustador.
Cara de Barro, terceiro lançamento do novo universo da DC comandado por James Gunn, tenta unir o horror psicológico ao universo dos super-heróis. O resultado, porém, fica abaixo das expectativas, segundo a crítica do site Far Out Magazine.
A produção apresenta momentos criativos de terror, mas não aprofunda a trajetória do protagonista nem aproveita todas as possibilidades de sua mitologia nos quadrinhos.
Cara de Barro tenta unir terror e universo dos super-heróis

A trama acompanha Matt Hagen, um ator reconhecido que sofre um ataque brutal e tem o rosto desfigurado. Sem conseguir recuperar a carreira, ele procura a médica Caitlyn Corr, que realiza pesquisas experimentais capazes de mudar sua vida.
Interpretado por Tom Rhys Harries, Hagen passa por uma transformação física e psicológica. O personagem, conhecido por sua vaidade, começa a descobrir um lado sombrio enquanto tenta recuperar a aparência e o espaço que perdeu no mundo do entretenimento.
A proposta tem potencial para explorar temas como identidade, obsessão pela beleza e os limites da ambição. No entanto, a crítica aponta que o roteiro não desenvolve essas questões com a profundidade necessária.
O filme também demora a chegar aos momentos mais perturbadores. As cenas iniciais são curtas e fragmentadas, o que prejudica a construção do suspense e dificulta a conexão do público com o protagonista.
Atuação de Tom Rhys Harries é um dos destaques
Apesar dos problemas do roteiro, Tom Rhys Harries consegue dar força a Matt Hagen. O ator transmite a necessidade de reconhecimento do personagem e sua dificuldade em aceitar a perda da própria imagem.
Hagen é apresentado como um homem narcisista, que associa a aparência ao sucesso profissional. A ironia está no fato de que sua obsessão pela beleza acaba se tornando parte de sua transformação moral.
Mesmo assim, a produção não explora suficientemente essa mudança. A história sugere que o procedimento experimental desperta algo maligno dentro do ator, mas oferece poucas evidências para tornar essa evolução convincente.
A personagem Caitlyn Corr, interpretada por Naomi Ackie, também sofre com o desenvolvimento limitado. A médica conduz pesquisas clandestinas, mas o filme dedica pouco tempo para explicar suas motivações e a relação que estabelece com Hagen.
Max Minghella, que interpreta o detetive John Borrelli, parece aproveitar melhor o material disponível. Ainda assim, seu personagem não consegue compensar as falhas na construção do universo de Gotham City.
Efeitos especiais dividem opiniões
O terror corporal é um dos principais elementos de Cara de Barro, mas nem todas as cenas conseguem provocar o impacto esperado.
Algumas transformações apresentam ideias interessantes, embora muitas mortes e mudanças físicas sejam previsíveis. Em vez de surpreender, o filme frequentemente revela com antecedência o efeito que pretende causar.
Uma sequência em uma boate, perto do final, surge como um dos momentos mais empolgantes da produção. Com edição estilizada e ritmo acelerado, a cena mostra como o filme poderia ter explorado melhor os poderes do personagem.
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O contraste entre a maquiagem e os efeitos digitais, porém, chama a atenção. Enquanto o trabalho prático de maquiagem funciona em determinados momentos, o CGI enfraquece parte do resultado visual.
Os vilões secundários também recebem críticas. Um grupo de criminosos é apresentado como uma versão caricata dos gângsteres dos anos 1930, sem que a produção desenvolva uma abordagem suficientemente criativa para justificar essa escolha.
Cara de Barro não aproveita o potencial psicológico do vilão
Embora Cara de Barro pareça interessado em contar uma história sobre a transformação de um homem em vilão, o roteiro raramente permite que Hagen se torne verdadeiramente assustador.
O texto também não aproveita todo o potencial do personagem dos quadrinhos, conhecido pela capacidade de mudar de forma. Para a crítica, essa habilidade poderia render cenas mais inventivas e ampliar o impacto do terror.
O roteiro tem participação de Mike Flanagan, cineasta conhecido por produções de horror. Segundo a análise da Far Out Magazine, porém, sua presença nos créditos não se traduz em personagens tão desenvolvidos quanto os vistos em suas séries.
A direção é de James Watkins, que aposta em sustos rápidos e cenas que terminam antes de alcançar maior intensidade. O desfecho também é apontado como pouco satisfatório, especialmente quando comparado à abordagem do personagem no episódio Feat of Clay, de Batman: The Animated Series.
Novo universo da DC enfrenta um desafio
Sob a liderança de James Gunn, a DC busca construir um universo cinematográfico capaz de explorar diferentes gêneros e estilos. A proposta de apostar no terror corporal representa uma tentativa de ampliar as possibilidades dessas adaptações.
No entanto, Cara de Barro evidencia os riscos dessa estratégia quando a execução não acompanha a ambição inicial. O filme apresenta boas ideias e conta com uma atuação central promissora, mas deixa de aprofundar os elementos que poderiam torná-lo uma experiência marcante.
No fim, a produção fica dividida entre o terror e o cinema de super-heróis, sem alcançar todo o potencial de nenhum dos dois gêneros.
