Pink Floyd: “On The Run” as curiosidades da faixa que antecipou o Techno.

“On The Run”, marcou pela sua inovação e criatividade aliada a tecnologia.

A música “On the Run”, do álbum The Dark Side of the Moon (1973), é uma das composições mais ousadas do Pink Floyd. Criada a partir de sintetizadores, ela aborda as pressões das viagens modernas, que, segundo Rick Wright, frequentemente trazem o medo da morte.

Considerada por muitos como uma das primeiras peças a dialogar com a sonoridade que conhecemos como techno. A faixa fica marcada por um teclado hipnótico, baseado em apenas cinco notas repetidas em alta velocidade. Aproximadamente 25 segundos após o início, é possível ouvir o som de uma voz em um alto-falante, lembrando anúncios de aeroporto, o que reforça a atmosfera de deslocamento e tensão. 

Mostrando como faz.

Recentemente Gilmour deu uma entrevista para Rick Beato onde mostra ao vivo usando um sintetizador como aconteceu a criação do loop de “On The Run”. Gilmour comenta sobre a questão técnica em usar o som. 

“Controle era algo que, sabe, a gente nunca levava teclados para a sala de controle para fazer todo aquele trabalho da mesma forma. Tudo ficava do lado de fora, na sala. E esses sons estavam lá fora também. Quando você queria ouvi-los, monitorar, simplesmente ligava em um Hiwatt e saíam aquelas notas encorpadas, pesadas — que eram três osciladores afinados na mesma nota”. Conforme contou.

E completou. “Aí você apertava o botão de ataque e fazia boom. Não valia a pena complicar tanto. Para mim, eles soavam muito melhor passando por um Hiwatt ou algo do tipo, com mais impacto, em vez daquele som hi-fi exagerado, cheio de extremos entre frequências muito altas e muito baixas. O Hiwatt meio que puxava mais para a faixa média, o que dava muito mais punch.” Então, veja a entrevista completa:

Uma curiosidade sobre a música está no livro, “Inside Out: Minha História Com o Pink Floyd”, escrita pelo baterista Nick Mason, ele diz: “O sintetizador vinha com um teclado embutido na tampa de seu estojo de transporte e poderia ser tocado muito lentamente e depois acelerado eletronicamente. Para a faixa também usamos o acervo de efeitos sonoros da EMI, e assim tivemos outra desculpa para voltar à câmera de eco atrás do estúdio 3″. 

Ao vivo

Em seus shows, o Pink Floyd transformava a performance em um espetáculo visual: durante a execução, um aeromodelo cruzava a arena e terminava em uma explosão de luzes, deixando o público em choque.

Antes de ganhar a forma definitiva no álbum, a faixa ainda era conhecida como “The Travel Sequence” e soava bem diferente. Em 1972, quando a banda apresentava a suíte The Dark Side of the Moon ao vivo, o trecho era apenas uma jam de guitarra simples, longe do instrumental eletrônico complexo que entraria para a história.

Portanto, a potência e a dramaticidade da música fizeram com que ela ultrapassasse os limites do rock progressivo. Afinal, o Chicago Bulls, da NBA, passou a utilizá-la para marcar as apresentações dos jogadores visitantes. Por fim, “On The Run” contou com reedição no “Pulse” em 1994.