Reunião do Oasis: será que McCartney pensou: “os Beatles poderiam ter feito isso”

Liam e Noel de volta aos palcos reacende um questionamento sobre a reunião da principal influência da banda: os Beatles.

O retorno do Oasis aos palcos traz mais do que uma dose de nostalgia: reacende reflexões sobre o mundo do rock, separações lendárias e encontros que nunca aconteceram. A trajetória dos irmãos Gallagher, marcada por sucessos estrondosos e brigas públicas tão intensas quanto seus riffs, ganhou um novo capítulo — desta vez, com clima de reconciliação.

Liam e Noel Gallagher deixaram de lado as diferenças, ao menos temporariamente, e estão juntos em uma turnê histórica que se estende até o fim do ano, com passagem confirmada pelo Brasil nos dias 22 e 23 de novembro. Ver os dois lado a lado no palco, mãos dadas e dividindo os vocais de clássicos como Wonderwall e Don’t Look Back in Anger, é, sem dúvida, um momento comovente para os fãs.

E, convenhamos, prestem atenção nas ações corporais, é Liam quem dá o primeiro passo, conduz, de mãos dadas o irmão na foto que viralizou no show de retorno.

Oasis. Reprodução Instagram

Por que não os Beatles?

Diante disso, é impossível não pensar: será que Paul McCartney, ao ver essa reaproximação fraterna, sente um leve arrependimento? Teria se perguntado: “Será que não poderíamos ter deixado os egos de lado e reunido os Beatles antes de 1980?”

Embora uma volta completa de John, Paul, George e Ringo nunca tenha ocorrido após o fim da banda em 1970, algumas oportunidades surgiram — e foram desperdiçadas. Em meados de 1976, houve uma proposta inusitada: cerca de 3 mil dólares foram oferecidos para que Lennon e McCartney se apresentassem juntos em um programa de TV. Mas a reunião não aconteceu.

Nem mesmo a cerimônia do Grammy de 1971 contou com todos os integrantes. Só Paul compareceu. Em 1974, durante a assinatura da dissolução oficial dos Beatles, Paul, Linda e Ringo se encontraram com John em Los Angeles durante a separação de entre Lennon e Yoko ainda naquele ano. 

O próprio Paul quando estava em Nova Iorque “bateu” na porta de John em meados dos anos 70 em Nova Iorque, mas ele não o recebeu, alegando alegando que não estavam mais em 1958, e que deveria avisar antes de vir, sinceramente, proibição da “mãe” Yoko.

E uma última chance rara surgiu em 7 de março de 1979, no casamento de Eric Clapton e Patti Boyd. Ringo, Paul e George estavam lá. John, não. Alegou não ter recebido o convite. Clapton garante que enviou. Há quem diga que Yoko Ono interceptou a carta, temendo que um reencontro musical entre os quatro pudesse reacender algo maior. Talvez até mudar o curso dos acontecimentos — quem sabe até o trágico destino de Lennon, em dezembro de 1980. Até porque a cerimônia de festa teve uma Jam, com Paul, George e Ringo, e vários outros músicos tocando. 

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Hoje, tudo o que temos é um reencontro virtual “à la Chapolin”, com os quatro Beatles “juntos” no clipe de Now and Then. Bem como, os artistas de IA que vez ou outra soltam produções de como seriam estes encontros. 

Enquanto isso, os fãs do Oasis podem viver algo mais real e pulsante. Liam e Noel estão na estrada novamente, provando que, no rock, algumas pontes podem ser reconstruídas.

E enquanto os Beatles permanecem como um sonho eterno, resta-nos celebrar: o Oasis está de volta. E por fim, como bem diz o título do disco: Be Here Now.