Paul McCartney: Os Segredos da Turnê dos Wings nos EUA em 1976

 

A chegada dos Wings aos Estados Unidos marcou uma nova era de shows para Paul McCartney.

Nota: infelizmente não podemos usar imagens de Paul McCartney, que não sejam de domínio publico. A MPL não aceita somente os créditos, quer que a gente pague por ela. Sinceramente, eu acho isso um absurdo vindo de bilionário. 

Os Wings chegaram aos Estados Unidos em 1976. Ou seja, uma década após os Beatles terem encerrado as turnês, justamente em palcos norte-americanos. No dia 29 de agosto de 1966, no Candlestick Park em São Francisco. 

Mesmo Paul sabendo que as canções dos Wings tinham até então conquistado o mercado americano, ainda havia um certo medo de aceitação. No entanto, os Wings já tinham um setlist promissor, como por exemplo, “Maybe I´m Amazed”, “Let Me Roll It”, “Live And Let Die”, “Silly Love Songs”, “Band On The Run” e “Let Em in”. 

Na turnê pelos Estados Unidos, Paul McCartney trouxe de volta as canções dos Beatles. Como, “BlackBird”, “The Long Winding Road”, “Yesterday”, “Lady Madonna” e “I´ve just Seen a Face”. No entanto, diversos boatos surgiram principalmente quando um promotor de Los Angeles chamado Bill Sargent ofereceu para John, Paul, George e Ringo 50 milhões de dólares para um show com os quatros em qualquer lugar do mundo, sendo exibido em um circuito de TV. 

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Sargent blefava, dizia que estava em negociação com o advogado de George Harrison, e que havia contatado Neil Aspinal, que na época era diretor administrativo da Apple. Qualquer fã dos Beatles hoje sabe que George naquele período não aceitaria, e que John muito menos, afinal, no ano de 1976, Sean, seu filho com Yoko não tinha nem 1 ano, e Lennon havia se retirado do showbiz. 

Paul obviamente negou, e através dos advogados Eastman afirmou que as propostas nem sequer estavam sendo levadas em consideração. Estas informações estão na biografia: “Paul McCartney de Philip Norman“.

“Um Ancião”

Ao chegar nos Estados Unidos no final de 1975, um repórter perguntou a Paul McCartney, que na época ainda iria completar 34 anos, se ele não estava muito velho para um astro de rock. E então, Macca respondeu, “Um ancião”, e ainda completou, “Só venha ver o show e daí me diga se continua achando que estou ultrapassado”. 

Os Wings chegaram aos Estados Unidos com uma equipe de mais de 20 pessoas. Além da parte técnica, estavam a governanta Rosie Marie, para cuidar de Mary e Stella, assim como um professor particular para Heather. Durante a turnê os Wings lançaram o álbum, “Wings at the speed of light”, que teve a capa criada por Humphrey Ocean, “Silly Love Songs” foi lançada em compacto e permaneceu cinco semanas no topo da Billboard. 

Durante os intervalos mais longos entres as apresentações, Paul sempre alugava casas confortáveis para ele, Linda, Mary e Stella. Dessa forma, o comboio de caminhões com equipamentos tinham três veículos. O primeiro plotado com a palavra, “Wings”, o segundo, “Over”, e o último, “América”. 

Agulhada em Linda.

Os Wings faziam apresentações de 2h30 de duração, e aquela formação da banda, com Denny Laine, Joe English e até o difícil Jim McCulloch, era considerada por McCartney e Linda como a melhor de todas. Linda já tinha perdido o medo do palco, mas Paul chegou a dar uma ratada feia com ela, quando certa vez ao ensinar novos acordes chegou a falar para mulher que podia ter colocado Billy Preston no lugar dela. Linda respondeu da seguinte forma. “Eu não estou aqui por ser a melhor tecladista. Estou aqui porque a gente se ama.” Paul McCartney depois pediu desculpas para a esposa. 

O show dos Wings em Seattle, no dia 10 de junho reuniu cerca de 67 mil pessoas, e fez os reporteres esquecerem de vez o assunto, “reunião dos beatles”. Tanto que as manchetes publicadas eram: “McCartney voltou (TIME)”, “McCartney voltou aos Estados Unidos vitorioso” ou o lead de uma matéria que dizia:

“Sem os Beatles ele formou uma nova banda. Essa nova banda que promove o evento de música popular do ano…causando o mesmo impacto que os Beatles uma década atrás, mas com um novo som para uma nova geração”. Conforme dizia.

Ringo e Paul juntos.

No dia 18 de junho, o dia de aniversário de 34 anos de Paul McCartney, a equipe fez um festa supresa, com a presença de um trio de mariachis mexicanos, fazendo Paul ficar vendado para quebrar a pinata de papel marchê cheia de doces, que foi quebrada pelo baixista fazendo a festa de todos. 

Três dias depois no show de encerramento da turnê em Inglewood, Ringo subiu ao palco de forma inesperada. O baterista deu um buquê de flores para Paul, e os dois se abraçaram como nos velhos tempos. 

Uma reportagem da TV na época fechou uma matéria dizendo: “No palco não há John Lennon, não há George Harrison, não há Ringo Starr. Só Paul McCartney e os Wings. E, para todos os que estão aqui esta noite, isso parece o bastante”. 

Por fim, a turnê, “Wings Over America” se tornou anos depois o álbum triplo e documentário para o cinema, “Rockshow”