Vivi Seixas nega que mãe tenha deixado Raul morrer sozinho
Raul Seixas morreu em 1989 aos 44 anos.
Raul Seixas completaria 80 anos em 2025 e, para celebrar sua vida e obra, uma série de lançamentos e homenagens vem sendo realizados ao longo do ano. Entre os destaques estão a exposição “Baú do Raul”, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, inaugurada em julho, e a série documental do Globoplay “Raul Seixas: Eu Sou”, protagonizada por Ravel Andrade.
Outra ação marcante é conduzida por Vivi Seixas, DJ e filha do cantor, que tem promovido shows temáticos em tributo ao pai. Em entrevistas recentes, Vivi relembrou momentos afetivos da infância, como o personagem “Capitão Garfo”, criado por Raul para fazê-la rir.
Além das homenagens, Vivi também tem usado sua participação em podcasts para esclarecer fatos distorcidos sobre a vida do pai. No Salada Cast, ela abordou um dos boatos mais recorrentes: a ideia de que Kika Seixas, sua mãe, teria abandonado Raul, deixando-o morrer sozinho e pobre.
“Primeiramente, a minha mãe não foi a última esposa. A última foi a Lena, e ele também não estava com ela quando faleceu. Todo mundo sabe que meu pai tinha um problema de dependência química e alcoolismo. Quando minha mãe o conheceu, sabia que ele bebia, mas não imaginava a gravidade. Ela sofreu muito com isso, tentou interná-lo várias vezes — duas por vontade dele e uma à força —, mas meu pai sempre dava um jeito de sair. A responsabilidade que colocam na minha mãe é injusta. A culpa, infelizmente, foi dele mesmo, que não conseguiu se manter no tratamento”, afirmou Vivi.
Culpam até Vivi.
Silvio Passos, amigo, compositor e fundador do fã-clube Raul Rock Clube, reforçou o absurdo dessas fake news. Ele citou um comentário nas redes sociais que acusava Vivi de “abandonar o pai”.
“Quando Raul morreu, Vivi tinha apenas 8 anos e morava com a mãe. Não havia como ela ter qualquer responsabilidade sobre isso”, destacou.
Vivi também relembrou sua última visita ao pai, um mês antes de sua morte, em São Paulo.
“Nós fomos a uma padaria, eu, minha mãe e ele. Meu pai pediu um chope, mas gostava mesmo era de vodka com suco de laranja logo cedo. Minha mãe pediu para ele pegar leve, e eu chorei ao vê-lo bebendo. Ele me perguntou por que eu chorava e eu disse: ‘Porque não gosto que você beba, papai’. Ele respondeu: ‘Papai sabe o que está fazendo’. Então, ele escolheu esse caminho para si”. Conforme contou emocionada.
Trecho de livro.
A filha de Raul ainda leu um trecho do livro de memórias de sua mãe, Kika, em que conta:
“Eu sempre me entregava a carreira dele e o Raul pareceia não dara qualquer importância que não fosse a bebida.
A cada internação os diagnósticos se tornavam piores, ele já tinha retirado parte do pancreas, tinha diabetes, hipertensão e com a continuidade do alcool tudo era realmente muito preocupante.
Mesmo assim consegui convence-lo a se internar em uma cliníca de reabilitação pela terceira vez, mas era inútil, porque ele sempre quebrava as promessas de parar de beber.
O Raul dizia: “Isto está sendo negativo pra mim, eu não aguento as palestras, nem as psicoterapias é tudo repetição de Reynolds, do Bezerra da Vila Serena, os inventários, as regras, eu estou traumatizado, tomei uma decisão justa ao meu favor, estou ficando sufocado, tenho AA todas as noites, não estou assistindo nenhuma palestra”.
E por fim, Vivi conclui, “Ou Seja, ele não aguentava ficar lá dentro”. Silviou revelou que a única clinica que Raul ainda se sentia bem era a Tobias, pelo fato de a abordagem terapeútica tinha musícoterapia, mesmo assim ele sempre inventava uma desculpa para sair.
