Relembre os shows e eventos que acabaram em tragédia.

Vamos relembrar alguns eventos e shows que acabaram em tragédias, com mortos e feridos. 

Os grandes shows e eventos começaram a se tornar mais comuns a partir dos anos 60. Com o aumento do público, muitas vezes não era mais possível que bandas e artistas se apresentassem em casas de shows pequenas, foi então que estádios e grandes espaços se tornaram palcos de eventos e festivais. 

No entanto, os produtores teriam um desafio pela frente, como por exemplo, levar estrutura em relação ao acesso e segurança tanto do público quanto para os artistas. 

Por conta da morte de Ana Benevides, ocorrido na última sexta-feira, 17, no show da Taylor Swift no Rio de Janeiro, vamos relembrar alguns shows e eventos que acabaram sendo palco de tragédias. 

Festival de Altamont – 1969

Os Rolling Stones, Grateful Dead, Jefferson Airplane e Crosby, Still, Nash & Young, resolveram em 6 de dezembro de 1969 fazer um grande evento na Califórnia, chamado, Festival de Altamont

O que era para ser um segundo Woodstock de 1969, acabou virando um pesadelo para a banda. Os Stones contrataram uma gangue de motoqueiros barra pesada para serem os seguranças do evento. Sem nenhuma estrutura de divisão palco/público, um homem chamado, Meredith Hunter tentou subir no palco e foi impedido por Alan Pasero, um dos motoqueiro. 

Os dois começaram uma briga, e Meredith acabou esfaqueado, vindo a falecer no próprio local. O evento ficou marcado pela dificuldade de acesso, sem estacionamento, e com uma estrutura mínima de atendimento de urgência para um público estimado em cerca de 300 mil pessoas. 

The Who – 1979

No ano de 1979, a banda The Who tinha uma apresentação em Cincinnati, Ohio, nos Estados Unidos, e quando fazia apenas a passagem de som os portões foram abertos. Impacientes, a multidão correu sem nenhum controle para dentro do estádio, muitas pessoas caíram no chão, e 11 delas morreram pisoteadas. 

Legião Urbana – Mané Garrincha, 1988

No dia 18 de junho de 1988, a Legião Urbana voltava à Brasília para fazer aquele que seria o seu show de redenção. Contudo, a falta de organização para controlar o público de 50 mil pessoas falhou.

Não havia policiamento e segurança suficientes, e por conta das longas filas, a produção decidiu liberar a entrada, o que resultou em um caos. Além disso, a apresentação aconteceu com duas horas de atraso, e para completar a Legião iniciou o show com “Que País é este?”, que enlouqueceu a plateia próxima da grade. 

O que se via eram brigas generalizadas, o público jogava bombinhas e invadia o palco, e Renato Russo, começou a instigar e ofender a plateia e seguranças. Com frases como, 

“Da próxima vez a gente vai acender a luz. A gente vai embora. Porque segurança têm suficiente para dar porrada em todo mundo. Entendeu? Só por causa disso a gente vai pular as três próximas músicas. Nós já ganhamos muito dinheiro. Estamos aqui porque nós trabalhamos e vencemos. Vocês estão fudidos”.

A banda tocou só oito músicas e foi embora. A partir daquele momento, a Legião Urbana saiu da condição de mais amada, para mais odiada em Brasília.

Guns N´Roses e Metallica – 1992

Em 1992 as bandas Guns N ́ Roses e o Metallica com recém álbuns lançados, respectivamente, “Use Your Illusion I e II” e o “Black álbum”, estavam no auge. Foi então que aconteceu o show da turnê, Stadium Tour, em Montreal no Canadá. 

Uma sequência de acontecimentos surreais ocorreram, inclusive com os músicos. James Hetfield, do Metallica, se queimou com os fogos dos efeitos pirotécnicos, quando tentou controlar a apresentação e teve queimaduras de 2º e 3º grau.

E na sequência, por conta do episódio, o Guns N ́ Roses demorou a entrar no palco, e deixou a plateia enfurecida. Para piorar, Slash, guitarrista do GNR, teve uma overdose durante a apresentação, e Axl encerrou o show mais cedo alegando “dores de garganta”. 

O público saiu às ruas de Montreal e promoveu um quebra-quebra, vandalizando e saqueando lojas, destruindo carros e tocando fogo em prédios públicos. 

Raimundos, São Paulo, 1997

Em 1997, em Santos, litoral paulista, Os Raimundos se apresentaram no Clube de Regatas Santista, para um público de 5 mil pessoas. O local não tinha autorização para a realização de shows, e apesar do espaço ter cinco escadarias, apenas uma estava liberada para entrada. 

Sendo assim, com o excesso de peso parte da estrutura desmoronou e acabou ferindo 63 pessoas, e sete jovens morreram entre causas como asfixia e traumatismo craniano. 

WoodStock, Nova Iorque, 1999

O Festival de Woodstock em 1999 foi um evento de música realizado para comemorar o 30º aniversário do lendário Festival de Woodstock de 1969. No entanto, ao contrário do evento original, Woodstock ’99 foi marcado por uma série de problemas e controvérsias.

Realizado em 22 a 25 de julho de 1999, em Nova York, o festival apresentou uma variedade de artistas de diferentes gêneros musicais, incluindo rock, metal, hip-hop e eletrônico. No entanto, vários fatores contribuíram para tornar o Woodstock ’99 uma experiência negativa.

As condições no local eram precárias, com temperaturas extremamente altas, falta de água e instalações inadequadas. Além disso, houve relatos de preços inflacionados para alimentos e água, causando revolta. O clima tenso entre os participantes resultou em tumultos e confrontos durante o evento. Inclusive com estupros de mulheres. 

Um dos momentos mais caóticos aconteceu durante a música, “Fire”, em que o Red Hot Chilli Peppers homenageia Jimi Hendrix, Na ocasião, o público revoltado botou fogo em tambores e barracas, colaborando ainda mais para o caos. 

O Woodstock ’99 foi encerrado antecipadamente devido às preocupações com a segurança. Existe um relato de uma morte, do jovem David DeRosie, atendido pelos médicos ele foi levado a um hospital com a temperatura corporal de 42 graus, no entanto, apesar do atendimento David morreu de parada cardíaca dias depois. 

Pearl Jam, Roskilde Festival, Dinamarca, 2000

 

No dia 30 de junho de 2000, o Pearl Jam fazia sua apresentação no Roskilde Festival na Dinamarca. Enquanto o grupo tocava, um grupo de fãs causou uma confusão generalizada ao tentar se aproximar da grade de divisão do palco, por conta disso diversas pessoas caíram no chão e uma multidão ao tentar fugir dos atritos acabou pisando em quem estava no chão sem nenhuma defesa. O Pearl Jam ainda tentou controlar o público pedindo que parassem, mas a situação já estava fora de controle. Ao todo 9 pessoas morreram. 

RBD, São Paulo, 2006

Na passagem pelo Brasil, em 4 de fevereiro de 2006, a produção do RBD promoveu uma tarde de autógrafos no Shopping Fiesta, em Guarapiranga, São Paulo. O evento contou com a presença de cerca de 10 mil pessoas, que se aglomeravam para ficar mais próximas da banda. 

 

Contudo, por conta da histeria de alguns fãs, dezenas de pessoas começaram a se empurrar imprensando quem estava próximo a grade. No total, 100 pessoas ficaram feridas, sendo que três morreram pisoteadas. 

Love Parade, Alemanha, 2010

Outra tragédia por conta da superlotação e falta de organização, aconteceu em Duisburg, na Alemanha, durante um Festival de Música eletrônica. Na ocasião, um túnel que dava acesso ao local teve uma aglomeração de pessoas, e na tentativa de sair aconteceu uma espécie de avalanche humana, deixando 21 jovens mortos e mais de 500 feridos.

Boate Kiss, Santa Rosa, 2013.

A tragédia na Boate Kiss ocorreu em 27 de janeiro de 2013, na cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. Durante um show pirotécnico, um incêndio se iniciou devido ao uso inadequado de sinalizadores. O fogo se espalhou rapidamente, e a saída de emergência estava bloqueada, resultando em uma evacuação caótica.

 

O incêndio na Boate Kiss foi uma das maiores tragédias do Brasil, resultando na morte de 242 pessoas e deixando dezenas de feridos. A maioria das vítimas era jovem, muitos estudantes universitários. A investigação apontou diversas falhas, como a falta de alvarás de funcionamento, saídas de emergência inadequadas, extintores vencidos e materiais inflamáveis no local.

Vários responsáveis foram processados, incluindo os sócios da boate, membros da banda que usou os sinalizadores e bombeiros que não fiscalizam adequadamente o local. O caso gerou debates sobre a segurança em locais públicos e levou a mudanças nas regulamentações e fiscalizações em casas noturnas em todo o país. Por fim, a tragédia na Boate Kiss virou uma série na Netflix.