Quando Ringo Starr disse “não” a David Bowie
Foto: dearMoon, CC BY 3.0 / David Shankbone, CC BY 3.0
Ao longo da carreira, Ringo Starr consolidou a imagem de um dos músicos mais acessíveis e generosos da indústria. Muito além dos Beatles, emprestou sua bateria a nomes como Tom Petty and the Heartbreakers, Stephen Stills e Harry Nilsson. Mas houve um episódio raro em que o baterista surpreendeu ao recusar um convite — e quem estava do outro lado era ninguém menos que David Bowie.
No fim da década de 1970, Bowie trabalhava no álbum Lodger e teria convidado Ringo para gravar uma faixa experimental. O cantor havia acabado de concluir a famosa Trilogia de Berlim, em parceria com Brian Eno, e explorava sonoridades ousadas e métodos de produção pouco convencionais. Enquanto muitos músicos aceitariam de imediato a chance de colaborar, Ringo recusou educadamente.
O motivo, segundo entrevistas posteriores, não tinha nada de pessoal. Tratava-se de integridade criativa. Ringo acreditava que seu estilo clássico de bateria, marcado pelo swing e pela naturalidade, não se encaixaria na abordagem vanguardista de Bowie. Teria dito algo próximo de: “É brilhante, mas não sou eu.”
Esse gesto sincero ajuda a explicar a singularidade de Ringo: ele nunca esteve interessado em associar seu nome apenas por prestígio. Só aceitava participar quando sentia que realmente poderia somar à música. Bowie, por sua vez, respeitou a decisão, e os dois mantiveram uma boa relação. Anos mais tarde, Ringo chegou a declarar sua admiração, descrevendo Bowie como “um dos mais ousados e brilhantes”.
Por fim, para os fãs, esse episódio é revelador. Mostra como, apesar da humildade, Ringo sempre teve clareza sobre sua identidade artística — lembrando que, muitas vezes, a verdadeira arte também está em saber quando não tocar.