Quando George Harrison encontrou Frank Sinatra e algo inesperado aconteceu
George Harrison viu de perto o status que Frank Sinatra tinha em Hollywood.
Hollywood, 13 de novembro de 1968. Foi nesta data que a realeza do rock britânico colidiu com a majestade atemporal do show business americano. George Harrison, acompanhado por sua esposa Pattie Boyd e o road manager Mal Evans, aceitou um convite de Frank Sinatra para observá-lo em seu estúdio de gravação. O encontro gerou memórias vívidas de uma noite que misturou a mágica da música com a rígida hierarquia da velha guarda de Hollywood.
O convite partiu de The Voice e levou o trio diretamente ao Western Studios — ou o estúdio da Reprise Records. Mal Evans descreveu a visita empolgante: “Nós o observamos trabalhar no estúdio.”
Pattie Boyd, em sua memória, capturou a intensidade do momento em que o Beatle e seu círculo subiram à sala de controle. “Toda a orquestra já estava reunida lá, e nós subimos para a sala de controle, onde Frank, o engenheiro e produtor, estavam. Frank nos cumprimentou e disse que ia começar a gravar. Foi emocionante.”
O Show em um Take
Observando pela grande janela, Pattie recorda a performance de Sinatra. Embora registros históricos apontem que ele gravava a música “Pretty Colours” naquele dia, a memória da ex-modelo se fixou na potência daquele ícone:
“Ele cantou ‘My Way’. Uma música maravilhosa. Então ele subiu e ouviu a fita, e nós estávamos ouvindo também, e ele disse: ‘É isso, agora vamos tomar um drinque.’ Foi como se ele tivesse feito a gravação em apenas um take. Foi ótimo, foi incrível.” — Pattie Boyd
Portanto, para eles, a facilidade e o domínio de Sinatra em cena eram inegáveis, capturando a essência da lenda que ele era.
O Jantar e a Hierarquia da Sunset Strip
Após a sessão de estúdio, Sinatra convidou seus visitantes para jantar na Sunset Strip. A noite seguiu animada, com histórias e piadas contadas pelo anfitrião. Mal Evans descreveu o jantar como inesquecível.
No entanto, a noite no nightclub seguinte revelou a diferença de status entre a nova fama dos Beatles e o poder estabelecido de Frank Sinatra. Pattie Boyd recorda o cenário cinematográfico:
“Havia uma mesa comprida onde Frank se sentou. George queria sentar ao lado dele, mas um dos seus capangas disse: ‘Não, não, não, você não pode sentar ao lado do Frank.’ Então George teve que sentar algumas cadeiras mais longe.” Conforme conta Pattie Boyd na Biografia George Harrison – O Beatle Relutante.
A cena, com “uma garrafa de um tipo diferente de uísque” na frente de cada um e os “capangas” protegendo o círculo íntimo de Sinatra, demonstrou a hierarquia rígida que permeava o show business americano na época, mesmo para estrelas globais como George Harrison.
Ainda assim, a noite de 13 de novembro de 1968 permanece como um registro fascinante na história da música. Afinal, uniu duas eras e dois continentes em um encontro que provou que, em Hollywood, sempre existiu um código de conduta a ser seguido — mesmo pelos membros dos Beatles.
