Pink Floyd: a história por trás da saída de Syd Barrett da banda.

A banda lutou para manter Syd, mas a situação se tornou insustentável em fevereiro de 1968.

O dia 6 de abril de 1968, marca a saída oficial de Syd Barrett do Pink Floyd. Syd naquele período estava se afundando no vício em LSD, tomando as pílulas como se fossem bombons, além do mais, passou a desenvolver esquizofrenia. 

O comportamento do artista começou a afetar a produção do Pink Floyd, principalmente as apresentações da banda ao vivo. Barrett, guitarrista, compositor e vocalista, esquecia compromissos, acordes, ficava completamente letárgico no palco.

Pink Floyd: a história por trás da saída de Syd Barrett da banda.
Syd. Foto Getty Images

A solução, inclusive com o aval de Syd, foi contratar um novo integrante, David Gilmour, que já conhecia Barrett, e havia estudado com Nick Mason. Com cinco integrantes, a função de Gilmour era segurar as falhas de Barrett, e tentar a todo custo mantê-lo no grupo. 

No entanto, Nick Mason, no livro, “Inside Out: minha história com o Pink Floyd”, conta o exato momento em que a condição de Syd na banda se tornou insustentável. Na ocasião, durante o ensaio da música, “Have You Got It Yet?”, o guitarrista mudava constantemente o arranjo, de modo que cada vez que tocavam saia diferente. 

Pink Floyd: a história por trás da saída de Syd Barrett da banda.
Nick Mason, Syd, David, Roger Waters e Richard Wright, uma rara fotos juntos. Getty Imagens.

Sendo assim, as coisas chegaram a um ponto crítico em fevereiro de 1968. “Tínhamos que fazer um show em Southampton. No carro, indo buscar Syd, alguém perguntou: “Devemos pegar o Syd?`e a resposta foi , `Não, foda-se, deixa pra lá`. Relatar isso com tanta franqueza nos faz parecer até cruéis, é verdade. A decisão foi assim, como grupo, completamente insensível”.  Conta Mason.

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Após o show aconteceu uma reunião na casa dos empresários Peter e Andrew. O empresário lembra, “Lutamos para manter Syd na banda. Eu não conhecia o David muito bem, embora soubesse que era um guitarrista talentoso. Ele podia tocar as partes de Syd na guitarra melhor que o próprio Barrett”. 

Recomeço.

O baterista Mason lembra aspectos importantes do que essa mudança representou na carreira do Pink Floyd. “Por sorte tínhamos conseguido evitar que Syd se tornasse um líder dominante, apesar da sua presença de palco e aparência. Nossas fotos publicitárias oficiais sempre mostraram a banda toda”. Lembra

Pink Floyd em 1968.

David Gilmour tinha a tarefa mais difícil, que era se consolidar como músico e compositor dentro do grupo. Ao mesmo tempo havia outros aspectos curiosos, como por exemplo, quando a banda se apresentava nos programas de TV tinha que cantar dublando em playback a voz que era de Syd. 

“David trouxe novas forças à banda. Já era um guitarrista talentoso, cantava com uma voz forte e marcante. Estava tão interessado quanto nós em experimentar novos sons e efeitos”. Diz Mason. 

A vida de Syd pós-Pink Floyd.

Syd Barrett, ainda gravou dois álbuns solos, “The Madcaps Laughs” (1969) e Barrett (1970). Contudo, atormentado, se recolheu na casa da sua mãe, onde passava os dias pintando quadros, quando finalizava, destruía a obra e começava novos. 

Syd visitando Abbey Road em 1975. Getty Images

No entanto, durante as gravações do álbum, “Wish You Were Here”, em 1975, chegou a visitar de surpresa os estúdios de Abbey Road. Careca, acima do peso, e desconexo da realidade, ouviu as duas faixas em sua homenagem, “Wish You Were Here” e “Shine On You Crazy Diamond”. Ao longo dos anos, Syd Barrett viveu dos royalties da produção do Pink Floyd. Barrett morreu em decorrência de complicações por conta da diabetes, em 7 de julho de 2006.