Pink Floyd: a caótica primeira turnê nos EUA em 1967

Em 1967, a primeira turnê do Pink Floyd nos EUA foi um caos, com Syd Barrett enfrentando sérios problemas e mais a desorganização e amadorismo da banda.

A primeira turnê do Pink Floyd nos Estados Unidos em 1967, foi cheia de rolos e quase não aconteceu. Syd Barrett naquele período já começava a apresentar problemas relacionados às drogas e problemas de saúde mental. 

O Pink Floyd havia acabado de lançar o primeiro álbum, “The Piper At The Gates Of Dawn”, e alguns compromissos de shows já começavam a ser agendados. Contudo, devido a condição de Barrett a banda decidiu passar os dias no mediterrâneo, na ilha de Formentera, na Espanha em agosto de 1967, para tentar ajudar a saúde de Syd, funcionou, mas apenas por algumas semanas. 

Na volta a Londres, o Pink Floyd começou a cumprir uma agenda de gravações e partiu para shows no Reino Unido e na Holanda. O empresário Andrew King já estava em negociação para a primeira turnê da banda nos Estados Unidos. As conversas e negociações corriam com o famoso manager Bill Graham. 

Andrew primeiro partiu para Nova Iorque com a intenção de assinar os contratos da turnê, encontrando com Bill – Conforme consta no livro autobiográfico, “Inside Out: minha história com o Pink Floyd”, escrito pelo baterista Nick Mason – durante as negociações Graham tirou uma arma da gaveta e deu para Andrew, dizendo: “Não é obrigatório, rapaz, mas se não quiser posso guardar de volta na gaveta”. Ele não usou.

Problemas com o visto.

O empresário do Pink Floyd seguiu para a Costa Oeste americana para acertar os detalhes, sendo que até aquele momento os vistos da banda não haviam sido emitidos. Os integrantes chegaram a passar horas na embaixada dos EUA em Londres tentando a saída dos documentos. A solução aconteceu através de Bill Graham que ligou diretamente para o embaixador dos Estados Unidos para que liberasse a documentação. 

Por conta do atraso, o Pink Floyd perdeu alguns shows sendo substituídos na época por Ike & Tina Turner em São Francisco. 

Barrett aprontando

O voo do Pink Floyd até os Estados Unidos foi extremamente cansativo. Principalmente, por conta de loucuras de Syd Barrett. Em um destes fatos, a aeromoça pediu para ele apagar os cigarros, e o guitarrista e vocalista apagou o seu cigarro no carpete do avião e não no cinzeiro. Ao desembarcarem encontraram um Bill Graham furioso por não terem cumprido os primeiros shows. 

O Pink Floyd naquele ano de 1967, era conhecido por ter um show de luzes. Contudo, eles tocavam em lugares pequenos na Inglaterra, e o espaço onde iriam tocar cabiam 5 mil pessoas. Sendo assim, o jogo de luz da banda virou motivo de piada. 

A banda levou apenas guitarras, nada de baixo, bateria ou teclado e tiveram que se virar para conseguir instrumentos para os shows, tal era a falta de experiência do grupo. A Columbia/EMI e nem a Capitol não deram nenhum suporte para o Pink Floyd. A bateria conseguiram através da filial da Premier nos Estados Unidos, mas com muito custo, devido a má fama de bateristas ingleses, como por exemplo, Keith Moon que quebrava o instrumento no palco. 

Além do mais, todo conjunto de bateria veio com peças de cores diferentes. O teclado e o baixo foram emprestados de músicos também da turnê. O Pink Floyd tocou abrindo para a Big Brother & The Holding Company, que foi a primeira banda de Janis Joplin. 

No fim de semana seguinte quem estava na programação era a própria Janis, com seu casaco de pele presenteado pela Southern Comfort, bebida favorita da cantora. Uma curiosidade, é que Roger Waters se aproximou de Joplin e deu uma garrafa de Southern Comfort para ela, enquanto a banda tocava. Ao final do show Janis devolveu a garrafa vazia. 

Alisante para o cabelo

Quando a banda foi se apresentar no Cheetah Club em Los Angeles, Syd Barrett deu mais trabalho. Achando que seus cabelos estavam encaracolados demais, pediu um alisante e aplicou quantidades absurdas no cabelo. 

O músico tocou de botas verdes e ficava constantemente desafinando sua guitarra, até o ponto das cordas soltarem. Outro problema foi que o baixo vox emprestado para Roger Waters tinha trastes que cortava as mãos do músico, tanto que ele se aborreceu e acabou quebrando o instrumento no fim do show, para desespero do músico que emprestou o baixo.

A turnê caótica nos Estados Unidos foi definitiva para a banda pensar em afastar Syd Barrett da banda. Em uma das divulgações de TV nos Estados Unidos, Syd tinha que fazer playback sobre a sua voz, mas não conseguia, ficava olhando para um canto catatônico, e então Roger Waters e Rick Wright assumiam as vozes do playback.

Em outro momento, Roger Waters encontrou Syd dormindo do lado de fora do hotel em Los Angeles, com um cigarro queimando seus dedos. 

Por fim, a banda voltou para Londres e ainda cumpriu algumas agendas, com um Syd Barrett completamente aéreo. Somente no começo de 1968 é que a banda vai tomar novas atitudes com relação a permanência dele. É quando chamam David Gilmour para ser um segundo guitarrista, mas pouco tempo depois afastam o seu fundador.