“One” a canção sombria do Metallica inspirada em um soldado mutilado
Faixa faz parte do álbum “And Justice For All” lançado em 1988
O Metallica transformou a dor e a brutalidade da guerra em música com “One”, uma das faixas mais marcantes do álbum “…And Justice for All” (1988). A canção, lançada como single em 1989, tem inspiração no romance “Johnny Got His Gun” (Johnny Pegou Sua Arma), escrito em 1939 por Dalton Trumbo.
A história narra o drama de um soldado da Primeira Guerra Mundial que, após ser atingido por um morteiro, perde braços, pernas e todos os sentidos, permanecendo preso em seu próprio corpo. Portanto, em coma, ele desperta em um hospital militar e, incapaz de se comunicar, passa a enviar uma única mensagem em código Morse com os espasmos de seu corpo: “Kill me” (“Me matem”).
A ligação com a literatura e o cinema
James Hetfield conheceu o livro através de seu meio-irmão David Hale, e a obra marcou tanto o vocalista que se tornou a principal inspiração para a letra de “One”. Em 1971, o romance teve adaptação para o cinema, também dirigido por Trumbo. O clipe oficial do Metallica utilizou imagens do longa, criando uma estética sombria em preto e sépia que chocou a MTV da época.
Para evitar custos contínuos com royalties, a banda acabou comprando os direitos do filme, garantindo o uso definitivo em seu videoclipe.
Primeira vez do Metallica na TV e nos Grammys
“One” foi o primeiro videoclipe do Metallica, marcando um divisor de águas para a popularização do heavy metal na grande mídia. Em 1989 o Metallica tocou ao vivo na cerimônia do Grammy Awards, quando a categoria de Metal ainda não existia. Contudo, o prêmio acabou concedido à banda Jethro Tull, gerando polêmica. No ano seguinte, o Metallica venceria como Melhor Performance de Metal.
A polêmica do baixo e a produção
A faixa marca a entrada de Jason Newsted como baixista, embora sua execução quase não seja audível devido à mixagem. Em entrevista, o músico afirmou que não gostaria de relançar o disco com alterações, pois “…And Justice for All” representa “um momento único da banda”.
A produção contou com Flemming Rasmussen, responsável também por clássicos como “Ride the Lightning” (1984) e “Master of Puppets” (1986).
Recepção, legado e curiosidades
“One” não é apenas uma música de protesto, mas uma reflexão sobre a guerra como parte da condição humana. “A guerra não é boa nem má, ela simplesmente existe”. Conforme explicou James Hetfield em entrevista. No entanto, o vocalista ainda revelou que se identifica com o personagem da canção por conta de sua infância marcada por perdas pessoais.
A faixa se tornou presença obrigatória nos shows do Metallica, acabou incluída no álbum ao vivo S&M (1999), tocado com a Orquestra Sinfônica de São Francisco, e reapresentada no Grammy de 2014, acompanhada pelo pianista chinês Lang Lang.
Por fim, a música entrou no jogo Guitar Hero III: Legends of Rock. Contudo, sendo considerada uma das mais difíceis do repertório.