O mistério por trás da cena do bebê em “A Paixão de Cristo”

Filme “A Paixão de Cristo” está atualmente disponível na Netflix.

Uma das cenas mais perturbadoras e enigmáticas do filme “A Paixão de Cristo” (2004), dirigido por Mel Gibson, continua a gerar discussões e interpretações mais de duas décadas após seu lançamento. Trata-se do momento em que, em meio à brutal flagelação de Jesus, surge uma figura misteriosa carregando um bebê de aparência sinistra.

A cena, carregada de uma atmosfera sombria e inquietante, apresenta essa personagem andrógina sem proferir palavras, mas sua presença e a estranheza do bebê que carrega nos braços despertam diversas reflexões sobre o significado daquele instante.

Na época do lançamento, muitos espectadores e críticos tentaram decifrar o simbolismo por trás dessa aparição. Uma das interpretações mais difundidas, e que encontra eco em discussões online e análises do filme, sugere que a figura representa Satanás. A presença do bebê, com uma aparência incomum e até perturbadora para alguns, seria uma forma de o diabo confrontar Jesus em seu momento de extremo sofrimento.

A ideia central dessa interpretação é que, enquanto Jesus é cruelmente humilhado e espancado, Satanás aparece com um “filho” para insinuar que até mesmo ele, o maligno, cuida de sua prole, enquanto Deus Pai permite tamanha tortura a seu único filho. Seria uma tentativa de abalar a fé e a convicção de Jesus em seu sacrifício pela humanidade.

O Mal em qualquer lugar.

Mel Gibson, em entrevistas sobre o filme, ofereceu algumas pistas sobre suas intenções ao incluir essa cena. Ele explicou que desejava retratar Satanás como uma figura real, mas não da forma caricata com chifres e cauda. A escolha de uma atriz para o papel, Rosalinda Celentano, com uma aparência andrógina, reforça essa ideia de um mal que pode se apresentar de formas sutis e perturbadoras.

Sobre o bebê, Gibson comentou que a intenção era mostrar uma “perversão do que é terno e belo”. Portanto, distorcendo a imagem da maternidade e da inocência infantil para intensificar o horror da situação. Alguns interpretam o bebê como uma representação do Anticristo, zombando do sofrimento de Jesus.

A cena, portanto, carrega uma forte carga simbólica, explorando a dimensão espiritual da Paixão de Cristo. Inclusive a luta entre o bem e o mal no momento crucial do sacrifício. A ausência de diálogo da figura misteriosa e a estranheza do bebê contribuem para o impacto visual e para a reflexão sobre as provações enfrentadas por Jesus em suas horas finais.

Apesar das explicações e interpretações, a cena do bebê em “A Paixão de Cristo” continua sendo um ponto de debate e fascínio. Sobretudo, demonstrando o poder da linguagem cinematográfica em evocar sentimentos e questionamentos profundos. Principalmente sobre fé, sofrimento e a natureza do mal.