Kurt Cobain e o relógio que virou parte da sua estética.
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Muito além de um acessório comum, o relógio de pulso Tom Peterson se tornou um dos itens mais emblemáticos ligados à imagem de Kurt Cobain. Diferente de guitarras icônicas ou figurinos de palco, era um objeto simples, barato e recorrente — presente tanto na vida privada quanto em registros públicos do líder do Nirvana.
Ao longo de praticamente toda a carreira, Cobain foi visto usando o mesmo relógio preto em sessões de fotos, turnês e aparições históricas. A escolha refletia perfeitamente sua postura anti-fashion e seu afastamento deliberado do glamour associado às grandes estrelas do rock. Em vez de peças de luxo, Kurt optava por itens acessíveis, conectados à cultura local de Seattle e ao espírito do grunge.
Presença constante em momentos históricos do Nirvana
O relógio Tom Peterson acompanhou Kurt Cobain em alguns dos episódios mais marcantes de sua trajetória:
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MTV Unplugged in New York (1993): o acessório aparece claramente em seu pulso enquanto ele toca violão no show que se tornaria um dos mais emblemáticos da história da música.
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Clipe de “Heart-Shaped Box”: o relógio surge de forma visível, reforçando sua presença constante na estética visual da banda.
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Sessões de fotos e turnês: está presente em inúmeras imagens oficiais e registros espontâneos do cotidiano de Cobain, desde os primeiros anos do Nirvana até pouco antes de sua morte, em 1994.
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A origem do relógio e a cultura pop do Noroeste dos EUA
O relógio traz no mostrador o rosto de Tom Peterson, empresário conhecido por comandar uma rede de lojas de eletrodomésticos em Portland e Seattle. Peterson ficou famoso por seus comerciais de TV de baixo orçamento, que se tornaram parte do imaginário popular da região.
Produzido em Hong Kong, o relógio era um item promocional fabricado em quantidade limitada. Para Kurt Cobain, usá-lo representava mais do que humor ou ironia: era uma afirmação de identidade regional e um aceno à cultura kitsch do Noroeste dos Estados Unidos, algo que dialogava diretamente com a proposta crua e anticomercial do grunge.
O destino do relógio após a morte de Kurt Cobain
Após a morte de Cobain, Courtney Love entregou o relógio a Kat Bjelland, vocalista do Babes in Toyland e amiga próxima do casal. Bjelland relatou um detalhe que adicionou um tom quase místico ao objeto: o relógio teria parado de funcionar exatamente uma semana após a morte de Kurt.
Contudo, ela optou por nunca consertá-lo, mantendo o mecanismo parado como um tributo silencioso ao amigo. Portanto, um símbolo literal de um tempo interrompido.
Marcas do tempo e da vida na estrada
Mesmo após anos de uso intenso, o relógio preserva sinais que ajudam a contar sua história:
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Oxidação esverdeada na parte traseira da caixa metálica, resultado do contato contínuo com a pele.
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Um pequeno diamante de imitação, que marcava originalmente as 12 horas, se desprendeu e hoje se move livremente sob o vidro.
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Parte da pulseira original está ausente, evidência da rotina intensa de shows, viagens e do cotidiano ao lado de uma das maiores bandas do rock mundial.
Portanto, hoje, o relógio Tom Peterson é mais do que uma curiosidade. Afinal, tornou-se um artefato simbólico da relação entre Kurt Cobain, a cultura de Seattle. E sobretudo, a estética crua que definiu uma geração inteira do rock.


