Jimi Hendrix: as controvérsias sobre seus últimos momentos em 1970

 

Até hoje a partida de Jimi Hendrix é cheia de teorias conspiratórias mas com um certo fundamento. 

Jimi Hendrix, um dos maiores guitarristas da história do rock, faleceu tragicamente em 18 de setembro de 1970. Na noite anterior, ele havia participado de uma festa com sua namorada, Monika Dannemann, e decidido passar a noite no apartamento dela, no Hotel Samarkand, localizado em Notting Hill, Londres. O que começou como uma noite comum acabaria se tornando um dos momentos mais tristes da história da música.

De acordo com Monika, Hendrix tomou comprimidos de um sonífero potente e os ingeriu com vinho. Horas depois, ele acordou em pânico, sufocando com o próprio vômito. Desesperada, Monika ligou para uma ambulância, que chegou rapidamente e levou Jimi ainda supostamente vivo ao hospital St. Mary Abbots. No entanto, ele não resistiu e foi declarado morto nas primeiras horas da manhã, aos 27 anos.

Circunstâncias obscuras

Na época de sua morte, Hendrix enfrentava uma série de pressões pessoais e profissionais. Seu empresário, Michael Jeffery, conhecido por ser ganancioso, lotava sua agenda de shows, deixando pouco ou nenhum tempo para o guitarrista descansar ou criar novas músicas. Além disso, Jimi estava lidando com problemas financeiros e sofria de depressão, o que afetava tanto seu estado físico quanto mental. O uso de drogas e álcool aumentava cada vez mais, afetando até suas performances ao vivo, que começaram a ser criticadas por serem irregulares.

Outro fator de pressão vinha dos Panteras Negras, que insistiam para que Hendrix mantivesse apenas músicos negros em sua banda. Essa tensão racial e ideológica fazia parte do ambiente em que Jimi vivia, e ele acabou cedendo a algumas dessas pressões. Estas informações estão no livro, Wild Thing : A breve e fantástica vida de Jimi Hendrix

Jimi Hendrix: as controvérsias sobre seus últimos momentos em 1970
Livro: Wild Thing : A breve e fantástica vida de Jimi Hendrix

Teorias da conspiração

A morte de Hendrix gerou diversas teorias da conspiração. Uma das mais conhecidas sugere que o guitarrista foi assassinado a mando de seu empresário, Michael Jeffery. Jeffery assumiu a carreira de Hendrix em 1968, após a saída de Chas Chandler, e sua relação com o músico era conturbada. Após o lendário show em Woodstock, Jimi teria informado a Jeffery que queria tirar um tempo dos palcos, o que irritou profundamente o empresário. Jeffery temia que essa pausa impactasse ainda mais as finanças de ambos, já que Hendrix acumulava dívidas, gastando com carros de luxo, guitarras e limousines.

Um detalhe curioso é que o estúdio de Hendrix, o Electric Lady, em Nova Iorque, ficava em uma área dominada pela máfia italiana. Isso gerou desconforto, pois o estúdio atraía muita atenção. Além disso, Jeffery pegou dinheiro emprestado da máfia para cobrir os custos exorbitantes do estúdio e manter o estilo de vida de Hendrix. Então, quando Jimi anunciou a pausa em sua carreira, Michael ficou desesperado, sendo pressionado pelos mafiosos e também pelas investigações da Receita Federal Americana.

Outro fator que contribuiu para as suspeitas é que o contrato de Jeffery com Hendrix estava prestes a expirar em dezembro de 1970, e Jeffery estava certo de que Jimi não renovaria. Hendrix estava cansado das interferências de Jeffery em sua carreira, inclusive na parte criativa. O empresário havia pressionado o guitarrista a trazer de volta Mitch Mitchell para a banda, algo que Jimi não desejava, principalmente pelo conflito que teria com os Panteras negras.

O ponto mais intrigante da teoria conspiratória é que Jeffery havia feito uma apólice de seguro milionária em parceria com a Warner, onde ele próprio era o beneficiário caso algo acontecesse a Hendrix. Despreocupado com questões contratuais, Jimi assinou o documento sem dar muita atenção. Isso levantou ainda mais suspeitas após a morte do músico.

Últimos momentos

O último show de Hendrix ocorreu no dia 6 de setembro de 1970, na Ilha de Fehmarn, na Alemanha. A apresentação ficou marcada por brigas na plateia e um Jimi apático, em grande parte devido às medicações que ele tomava para depressão. O brilho e a energia que marcaram sua carreira pareciam distantes naquele momento.

Após a morte de Jimi, alguns médicos contestaram o relato oficial de que ele havia morrido no hospital. Eles sugeriram que o guitarrista já estava morto quando retirado de seu apartamento, e que nenhuma tentativa de reanimação ocorreu no hospital.

Embora a perícia tenha descartado a possibilidade de suicídio ou crime, as circunstâncias em torno da morte de Hendrix permanecem cercadas de dúvidas. No final, Michael Jeffery recebeu a apólice de seguro milionária, pagou todas as dívidas e ainda negociou os direitos autorais de Jimi com seu pai, Al Hendrix. Michael Jeffrey morreu em um acidente aéreo em 1973.

Assim, o legado de Hendrix, embora imortalizado por suas contribuições musicais, também ficou marcado por essas circunstâncias nebulosas que cercam seus últimos dias. Jimi Hendrix partiu cedo demais, mas suas músicas e seu estilo inigualável continuam a influenciar gerações.

Por fim, recentemente ocorreu a divulgação da produção do documentário ,The Greatest Night In Pop”, dirigido por Bao Nguyen, ainda sem data de estreia. Além disso, um outro documentário, “Electric Lady Studios: A Jimi Hendrix Vision”, sobre a criação do estúdio do músico já está disponível em DVD e Blu-Ray.