Jeremy Allen White tinha um objetivo: “Fazer o público acreditar que era Bruce Springsteen ali”

Filme estreia no Brasil no dia 30 de outubro nos cinemas. 

O ator Jeremy Allen White, conhecido pelo sucesso da série The Bear, assume um dos maiores desafios da carreira: interpretar Bruce Springsteen no filme “Deliver Me From Nowhere”, dirigido por Scott Cooper (Coração Louco). Longe de ser uma cinebiografia tradicional, o longa revela o momento mais vulnerável e introspectivo do ícone do rock americano.

White confessa sua admiração pelo cantor:“Ele é muito, muito bonito”, diz, observando uma antiga capa da NME de 1978 em que o jovem Bruce aparece magro, desafiador e com os punhos erguidos. “Ele ainda não tinha o corpo musculoso dos anos 80, mas já exalava força e carisma.”

Jeremy Allen White tinha um objetivo: “Fazer o público acreditar que era Bruce Springsteen ali”
Jeremy Allen como Bruce. Crédito: Searchlight

O filme mergulha no período em que Springsteen, após o sucesso de The River (1980), se isolou em uma cabana na Costa Leste dos EUA para gravar “Nebraska”, um álbum cru, acústico e sombrio — muito distante dos hits de rádio. Foi durante esse processo que ele enfrentou a primeira grande depressão da vida, lidando com traumas de infância e a relação conturbada com o pai, Doug Springsteen, portador de esquizofrenia paranoide e alcoolismo.“Esse não é um filme sobre um herói americano triunfante”, explica o diretor Scott Cooper. “É sobre um homem tentando entender sua dor.”

Transformação total

Para viver o papel, Jeremy Allen White precisou cantar, tocar violão e até gaita — instrumentos que nunca havia tocado antes. O próprio Bruce Springsteen enviou uma guitarra Gibson J-200 de 1955 para ajudá-lo a capturar o timbre autêntico de Nebraska.

Com a ajuda do preparador vocal Eric Vetro (o mesmo de Timothée Chalamet em A Complete Unknown), White passou meses aprendendo a tocar e cantar como o músico. “Meu objetivo era fazer o público esquecer que estava vendo Jeremy Allen White”, diz Vetro. “E acreditar que era Bruce Springsteen ali.”

O envolvimento de Bruce

Jeremy Allen como Bruce. Crédito: Searchlight

Springsteen acompanhou de perto toda a produção — leu o roteiro, aprovou o elenco e visitou o set diversas vezes. “Ele pediu apenas uma coisa: ‘Não suavize nada. Faça um filme de Scott Cooper, sem filtros’”, revelou o diretor.

Contudo, algumas cenas, especialmente as que retratam a infância difícil de Bruce e os confrontos com o pai (interpretado magistralmente por Stephen Graham), foram emocionalmente pesadas.“Houve dias em que ele simplesmente não conseguiu assistir”, contou Cooper.

Amor, dor e redenção

Além da relação com o pai, o filme mostra dois vínculos decisivos na vida de Springsteen:

  • Faye, a namorada vivida por Odessa Young, que representa o amor interrompido pelo peso da depressão;

  • E então, Jon Landau, interpretado por Jeremy Strong (Succession), o crítico musical que se tornou seu parceiro e empresário. Sobretudo, lutando para lançar o disco Nebraska quando a gravadora o considerava “incomercial”.

Rock e vulnerabilidade

O clímax de Deliver Me From Nowhere é uma sequência de show intensa, em que White canta Born to Run com energia visceral. “Minha garganta ficou destruída. Não conseguia falar por dias”. Conforme lembra o ator.

No entanto, mesmo assim, o esforço valeu a pena. “Quando terminei de gravar Nebraska, Bruce me encontrou no set, me abraçou e olhou nos meus olhos. Ali senti que ele tinha aprovado o que eu fiz.”

Por fim, com atuações poderosas, trilha sonora emblemática e um retrato honesto de dor e redenção. Portanto, Deliver Me From Nowhere promete emocionar fãs e conquistar novas gerações para a música de Bruce Springsteen.