Fats Domino e os Beatles: o ídolo que inspirou canções como “Lady Madonna”

 

Em 1964, os Beatles conheceram Fats Domino, o ídolo era uma das principais referências de Paul McCartney no modo de cantar.

Foto: © 1978 Gunther / MPTV

A partir de agosto de 1964, os Beatles estavam no auge de sua primeira grande turnê pelos Estados Unidos. Em fevereiro daquele ano, a banda havia visitado o país com um caráter mais promocional, participando do The Ed Sullivan Show e realizando algumas apresentações.

No dia 16 de setembro, a banda chegou a Nova Orleans para realizar um show. Além de explorar a vibrante cena musical da cidade, os Beatles estavam ansiosos para conhecer Fats Domino, seu ídolo e uma grande influência no estilo vocal de Paul McCartney.

No entanto, o primeiro músico que encontraram foi Clarence “Frogman” Henry, que acabou substituindo os Righteous Brothers como ato de abertura do show dos Beatles. Segundo biógrafos, os Righteous Brothers ficaram descontentes porque, durante sua apresentação, o público estava mais interessado nos Beatles do que neles.

Clarence, diferente dos Righteous Brothers aproveitou para fazer amizade com John, Paul, George e Ringo, e principalmente, ajudou a realizar o principal desejo deles em Nova Orleans, conhecer Fats Domino através também de Bob Astor. Assim, Fats chegou no trailer que servia de camarim para encontrar os Beatles. O encontro durou 1 hora exata, o que impressionou principalmente Paul McCartney. 

Aliás, Paul lembra que Fats tinha um grande relógio de diamante no pulso. “Ele tinha um relógio de diamante muito grande na forma de uma estrela, o que era muito impressionante.”

Influenciando “Lady Madonna”

A música de Domino influenciou os Beatles, quando ainda nem tinham este nome, uma das primeiras músicas que Lennon aprendeu foi “Ain´t the Shame”. E mais tarde McCartney lembra que composições como, “Lady Madonna”, tiveram influência de Domino. 

“Lady Madonna surgiu quando eu estava ao piano tentando uma coisa boogie-woogie com clima de blues. Minha mão esquerda tocou um arpejo à boogie-woogie, uma coisa ascendente na esquerda e depois descendente na direita. Sempre gostei daquele baixo obstinado. Era basicamente isso. Por alguma razão, fazia-me lembrar Fats Domino, de modo que comecei a cantar imitando Fats, e a minha voz ficou diferente. Richard Perry depois conseguiu que Fats cantasse “Lady Madonna”; o provável é que eu tenha lhe dito que ela se baseava em Fats”. Lembra Paul na biografia, Paul McCartney de Philip Norman

Além do mais, sobre a canção, McCartney recordou um fato curioso ocorrido em 1994.”Eu estava anotando a letra toda, para decorá- la para um programa de televisão americano, e percebi que tinha pulado o sábado. Na letra, eu mencionava todos os outros dias da semana, mas pulava o sábado. Por isso, imaginei que deveria ter sido mesmo uma noite de folga”. 

Gravando Beatles

Fats Domino, regravou três músicas dos Beatles, “Lady Madonna,” “Lovely Rita,” e “Everybody ‘s Got Something To Hide Except For Me and My Monkey.”

Quando Fats morreu em 24 de outubro de 2017, aos 89 anos, Paul escreveu: “Sua voz, seu jeito de tocar piano e seu estilo musical foram uma grande influência para nós, e sua aparição no filme ‘The Girl Can’t Help It’ foi realmente magnífica. Como um dos meus cantores de rock ‘n’ roll favoritos, vou lembrá-lo com carinho e sempre pensar nele com aquele brilho no olhar. Li que ele teve oito filhos. Seu nome verdadeiro era Antoine. Seus filhos se chamavam Antoine III, Anatole, Andre, Antonio, Antoinette, Andrea, Anola e Adonica. Isso é puro Fats!”

Durante a carreira solo, Paul McCartney cantou ao vivo algumas vezes, “Ain’t The Shame”, como por exemplo, em Tóquio em 1990. E por fim, com o registro no álbum Back in USSR de 1988.