“Extermínio 3”: uma pilha de ossos ao som de Iron Maiden e Radiohead.
Longa com Ralph Fiennes traz terror e suspense assustador embalados por clássicos do rock Britânico.
A espera de quase três décadas para o retorno ao universo pós-apocalíptico de Alex Garland culminou em um momento que já está sendo definido como um dos mais icônicos do terror contemporâneo.
Em Extermínio 3: O Templo dos Ossos (28 Years Later: The Bone Temple), a diretora Nia DaCosta utiliza o peso do heavy metal britânico para transformar uma sequência de tensão em uma experiência sensorial absoluta.
O ritual de Ralph Fiennes: dança, ossos e heavy metal
No centro da trama, encontramos o Dr. Ian Kelson, interpretado por Ralph Fiennes em uma atuação que equilibra o intelecto e o instinto animal. Em um dos pontos de virada do filme, Kelson é forçado a realizar um ritual improvisado para ludibriar uma gangue de sobreviventes liderada pelo implacável Sir Lord Jimmy Crystal (Jack O’Connell).
O que torna a cena memorável não é apenas o cenário grotesco de pilhas de ossos humanos. Mas a trilha sonora que a conduz: o clássico “The Number of the Beast”, do Iron Maiden. Enquanto a voz de Bruce Dickinson ecoa pelas ruínas, Fiennes entrega uma performance física perturbadora, simbolizando o colapso da civilização e o retorno ao estado mais primitivo do homem.
A visão de Nia DaCosta: a música como descoberta
Para a diretora Nia DaCosta, a escolha da música foi além da estética. O objetivo era capturar o impacto do som em indivíduos que nasceram e cresceram em um mundo em silêncio, desprovido de arte e cultura de massa.
“Eu queria que a cena fosse épica e, ao mesmo tempo, estranhamente divertida. É como se aqueles personagens estivessem ouvindo algo amplificado pela primeira vez. A música não é apenas um fundo; ela é uma força física que altera o ambiente”. Conforme explica a diretora.
Por que o Iron Maiden abriu uma exceção rara?
Fãs da banda sabem que o Iron Maiden é extremamente criterioso com o licenciamento de suas obras para o cinema. No entanto, a conexão profunda da franquia com a identidade britânica foi o fator decisivo para a autorização.
A banda descreveu a parceria como um “risco calculado”, destacando que a canção foi integrada de forma essencial à narrativa, servindo como um pilar simbólico do caos que domina o Reino Unido devastado.
Além do metal: a construção sonora do caos
A trilha sonora de O Templo dos Ossos é um elemento narrativo à parte. Afinal, utiliza clássicos do pop e do rock alternativo para contrastar com a melancolia do cenário. Então, confira os destaques:
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“The Number of the Beast” – Iron Maiden (A peça central do ritual)
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“The Trooper” – Iron Maiden (Reforçando o DNA britânico da obra)
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“Everything in Its Right Place” – Radiohead (Usada para acentuar o estranhamento psicológico)
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“Girls on Film” – Duran Duran (Um eco nostálgico de um mundo que não existe mais)
O elenco, liderado por Fiennes e O’Connell, conta ainda com Erin Kellyman e Alfie Williams. Além de Chi Lewis-Parry, que dá vida a Samson, o “Alpha Infectado”. A relação entre a ciência de Kelson e a biologia de Samson é o que dita o ritmo deste novo e aterrorizante capítulo.
Extermínio 3: O Templo dos Ossos já está em exibição nos cinemas, oferecendo um espetáculo que promete ressonar tanto nos fãs de terror quanto nos apaixonados pela história do rock.
