Estreia de “O Brutalista” no Prime Video reacende debate sobre brutalismo
Produção vencedora de três estatuetas se inspirou na história do criador do estilo arquitetônico.
“O Brutalista”, estreia no próximo dia 22 de agosto no Prime Video. A Produção independente conquistou 10 indicações ao Oscar e levou três estatuetas — Melhor Ator, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora. O Brutalista resgata um dos estilos arquitetônicos mais marcantes do século 20: o brutalismo, movimento que ainda hoje divide opiniões entre admiração e rejeição.
Dirigido por Brady Corbet, o longa tem como protagonista Adrien Brody, vencedor do Oscar por sua atuação. Ele interpreta um arquiteto judeu húngaro que, após sobreviver às consequências da Segunda Guerra Mundial, migra para os Estados Unidos em busca de reconstruir sua vida e sua arte.
Contudo, a produção trouxe novamente à tona um estilo que provoca reações extremas: é amado por sua força estética e autenticidade, mas também criticado por sua rigidez e aparência considerada “pesada” por muitos. A escolha de edifícios com linhas duras e concreto exposto serviu como metáfora para a dureza da vida do protagonista, reforçando o poder narrativo da arquitetura.
Origem e significado
O termo brutalismo não tem relação com brutalidade, mas com a expressão francesa béton brut, que significa “concreto cru”. A estética surgiu na Europa após a Segunda Guerra Mundial, em um contexto de reconstrução urbana e busca por soluções econômicas. A proposta era deixar o concreto à mostra, transformando sua textura e formas em elementos de expressão arquitetônica.
Entre os nomes que influenciaram o movimento está Le Corbusier, com sua Unité d’Habitation, um marco da arquitetura moderna que inspirou gerações de arquitetos. A denominação, no entanto, só ganhou força na década de 1950 graças ao crítico inglês Reyner Banham.
Brutalismo na América Latina
O estilo também se espalhou pela América Latina, onde arquitetos incorporaram elementos culturais e sociais às construções. Alguns dos exemplos mais emblemáticos incluem:
Sesc Pompeia (São Paulo, Brasil):
Projetado por Lina Bo Bardi e inaugurado em 1982, o espaço é um dos ícones do brutalismo no Brasil.
Biblioteca Nacional Mariano Moreno (Buenos Aires, Argentina):
Obra de Clorindo Testa, declarada Monumento Histórico Nacional.
Edifício da CEPAL (Santiago, Chile):
Projeto de Emilio Duhart, que integra concreto aparente à paisagem da Cordilheira dos Andes.
Catedral de São Sebastião (Rio de Janeiro, Brasil):
Com formato cônico e espaço para 20 mil pessoas, é um dos marcos religiosos mais importantes do país.
Museo Rufino Tamayo (Cidade do México, México):
Projetado por Teodoro González de León, une brutalismo e arte.
Outros exemplos se espalham por Cuba, Venezuela e Guatemala, sempre mesclando o concreto cru com elementos culturais locais.
Estilo que divide
Por fim, mais de 70 anos após seu surgimento, o brutalismo segue como um estilo controverso. No entanto, para alguns, suas formas sólidas e honestas representam força e autenticidade. Mas para outros, evocam frieza e hostilidade urbana. Ainda assim, sua relevância arquitetônica e simbólica é inegável, seja em projetos icônicos da América Latina, seja em produções de Hollywood.




