Episódio de “Sandman” traz reflexão sobre a perda e o luto.

Reflexão está no episódio “A Canção de Orfeu” da segunda temporada de Sandman.

A segunda e última temporada de Sandman, da Netflix, tem chamado atenção por seus episódios intensos e diálogos que provocam profundas reflexões sobre a vida, o tempo e a morte. Este texto contém spoilers, então é voltado para quem já assistiu à série — mas, se você não se importa, siga em frente.

Na nova leva de episódios, acompanhamos o protagonista Sonho (Morpheus) reunindo seus irmãos imortais: Delírio, Desejo, Destino, Morte e Destruição. Este último está desaparecido, e, ao lado de Delírio, Morpheus parte em uma jornada para encontrá-lo.

A série intercala presente e passado com flashbacks da existência milenar dos Perpétuos. Em um dos episódios mais emocionantes, A Canção de Orfeu, inspirado na mitologia grega, vemos Morpheus relembrando o casamento de seu filho, Orfeu, com Eurídice. Porém, logo após a cerimônia, a jovem acaba picada por uma serpente e morre, dando início a uma série de eventos trágicos.

Abalado, Orfeu entra em conflito com o pai, que tenta guiá-lo com uma visão crua e honesta da realidade. O diálogo entre os dois é um dos momentos mais marcantes da temporada:

— Você deveria ir ao funeral. E se despedir — diz Morpheus.
— Não dá — responde Orfeu.
— Você vai ao funeral, se despede da pessoa morta, lamenta, e depois segue com a sua vida.
— Como? — questiona o filho.
— Haverá momentos em que a ausência dela te enlouquecerá. E você vai chorar. Mas isso acontecerá cada vez menos, eu prometo. Ela está morta. Você está vivo. Então, viva.

Contudo, mesmo após o conselho do pai, Orfeu decide descer ao mundo inferior para implorar aos reis Hades e Perséfone que devolvam sua amada. O pedido é aceito com uma condição: ele não pode olhar para trás durante a travessia de volta. Como na lenda original, Orfeu desobedece e perde Eurídice para sempre.

Metáfora sobre o luto.

O episódio se torna uma poderosa metáfora sobre o luto — ou pela morte de alguém querido, pelo fim de um relacionamento, de uma amizade ou mesmo de uma fase da vida. A mensagem é clara: não podemos mudar o que já está feito. É preciso aceitar, sentir a dor e seguir em frente. Viver, apesar da perda.