Deep Purple: ‘Child In Time’, a história da canção que marca a estreia de Ian Gillan

O álbum, Deep Purple – In Rock, foi lançado em junho de 1970, sendo o quarto álbum da banda. A obra marca a entrada do vocalista Ian Gillan, substituindo Rod Evans e o baixista Roger Glover no lugar de Nick Simper. 

Esta formação clássica, com Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice, se tornaria a mais bem sucedida do Purple. Deste álbum, saíram os single, “Black Night” e “Cry Free”. Além disso, “In Rock” sai da pegada mais progressiva para que a banda entre na fase heavy metal e hard rock.

Já na primeira faixa, “Speed King”, o Deep Purple mostra a força da banda, rápida e agressiva. Assim como, “”Flight Of The Rat”, “Bloodsucker”, “Into The Fire”, bem como, “Living Wreck” e “Hard Lovin Man”.

Child In Time

A exceção no álbum é, “Child In Time”, a lírica canção de 10 minutos, composta por Ian Gillan, como um protesto contra a guerra dos Estados Unidos no Vietnã. Em entrevista a própria revista do Deep Purple em 2002, Gillan declarou:

“Criamos essa música usando a Guerra Fria como tema e escrevemos os versos ‘Doce criança com o tempo, você verá a fronteira’. Foi assim que surgiu o lado lírico. Então, Jon preparou as partes do teclado e Ritchie preparou as partes da guitarra. A música basicamente refletia o clima do momento, e é por isso que se tornou tão popular.” 

“Child In Time”, mostra o poder vocal de Ian Gillan, principalmente quando a canção era executada ao vivo. Além de ser quase como um lamento e um grito de socorro e libertação, ao som do rufar militar da bateria de Ian Paice. 

Os dois solos, do teclado de Jon Lord e da guitarra Ritchie Blackmore marcam o que seria uma presença constante nas próximas canções do Purple. Nas performances ao vivo, o Deep Purple costumava incorporar um medley envolvendo a música “Lazy”, que pode ser ouvido no “Made In Japan”.

Curiosidades sobre a canção

Uma curiosidade, o final de “Child In Time”traz uma batida xâmanica semelhante a canções compostas pelo The Doors nos anos 60.

Lars Ulrich, baterista do Mettalica, considera “Child In Time”, uma das suas favoritas. Ele contou que seu pai o levou a um show da banda, quando tinha 9 anos e nunca mais deixou de ouvir.  “Já ouvi isso 92 mil vezes e nunca parece nada menos que ótimo.”

O Deep Purple deixou de tocar ao vivo “Child In Time”, no ano de 2002, quando Gillan declarou que não alcançava mais o tom da música. 

“Sempre pensei em ‘Child In Time’ não como uma música, mas mais como um evento olímpico. “Foi muito desafiador. Mas sim, quando eu era jovem, era fácil. Então chegamos ao ponto em que eu tinha cerca de 38 anos e isso simplesmente não parecia certo. Então pensei: ‘É melhor não fazer isso mal. Melhor não fazer isso.'” Disse a uma rádio espanhola. 

O Deep Purple se apresentou no Brasil no ano passado durante o Festival Monsters Of Rock, e realmente, “Child In Time” não estava no setlist.