Clint Eastwood explora escolhas de vida e mudanças geracionais em ‘A Mula’
Entre lírios e drogas: como ‘A Mula’ mistura drama, humor e reflexão sobre a velhice
Um diálogo de “A Mula”, com atuação e direção de Clint Eastwood, chama atenção no filme: ao ajudar um casal negro a trocar um pneu na beira da estrada, ele diz “muito bom poder ajudar um criolo”. A fala não tem maldade, mas sim pelo personagem, um idoso, ainda trazer concepções antigas. O jovem, então, o repreende, explicando que esse termo não é mais aceitável nos dias de hoje.
Durante todo o filme, Clint Eastwood destaca as dificuldades enfrentadas pela geração nascida entre 1930 e 1945 para se adaptar às mudanças da modernidade. A trama central exemplifica isso: Clint interpreta Earl Stone, um ex-combatente que leva uma vida estável como produtor de lírios.
Com o avanço da internet, porém, ele começa a perder clientes, já que seus produtos não estão disponíveis online e ele resiste às novas tecnologias. A consequência é a falência do negócio, levando Earl a aceitar se tornar mula de traficantes de drogas.
Earl não sabe usar o celular e se irrita com quem acredita que o aparelho é a solução para todos os problemas. Em outra cena, ele tenta ajudar alguns motoqueiros, chamando-os de “filho”, mas percebe que são mulheres. Ao corrigir e chamá-las de “moças”, elas respondem com humor: “Somos a sapata da estrada”.
Por outro lado, Earl só cede à modernidade ao trocar de veículo, abandonando sua antiga caminhonete por uma SUV moderna. Em “A Mula”, outro conflito central é o arrependimento do personagem por não ter dedicado mais tempo à família, sempre priorizando o trabalho.
História real.
A história é inspirada na vida de Leo Sharp, ex-veterano e produtor de lírios, que no fim da vida começou a trabalhar para um cartel de drogas. Diferente do filme, em que Earl realiza apenas 12 viagens, Leo passou quase dez anos atuando para o cartel até ser preso. Ele cumpriu três anos de prisão e morreu em 2011.
Por fim, “A Mula” é um excelente filme para quem aprecia um drama com pitadas de humor, equilibrando reflexão sobre escolhas de vida e leveza cômica.

