“Children Of The Grave”, o alerta ambiental do Black Sabbath ainda nos anos 70

Faixa faz parte do terceiro álbum da banda, “Master Of Reality”.

Foto: Warner Bros. Records, Public domain, via Wikimedia Common

Em 1971, quando o movimento ambientalista ainda dava seus primeiros passos, o Black Sabbath lançava um aviso sombrio sobre o futuro do planeta com a música “Children Of The Grave”. Escrita pelo baixista Geezer Butler, a faixa chamou atenção não só pelo peso característico da banda. Mas também pela mensagem urgente sobre poluição e destruição ambiental.

Em entrevista ao site Songfacts, Butler explicou o conceito da música: “As pessoas estavam apenas começando a perceber sobre a poluição. Mudanças climáticas e esse tipo de coisa. Foi bem no começo disso, e foi uma música sobre como todos nós vamos ser filhos da sepultura se não fizermos algo sobre o meio ambiente.” Conforme conta.

Livro “Into The Void”. Divulgação.

A faixa faz parte do clássico “Master of Reality”, terceiro álbum de estúdio do grupo, lançado em uma fase criativamente intensa do Black Sabbath. Entre 1970 e 1973, a banda lançou um disco por ano, ajudando a definir o som do heavy metal com riffs pesados de Tony Iommi, bateria potente de Bill Ward e os vocais inconfundíveis de Ozzy Osbourne.

LEIA TAMBÉM: Tony Iommi, do Black Sabbath, escapou de ataque a faca nos anos 70

Mesmo com o sucesso crescente na época, o Sabbath enfrentava resistência da crítica especializada, que só começou a reconhecer a importância da banda por volta do lançamento de Master of Reality. Ainda assim, a faixa virou um clássico absoluto e permaneceu presente nos shows da banda. Inclusive na era Ronnie James Dio e também nas apresentações solo de Ozzy.

Além de ser um marco do rock pesado, “Children Of The Grave” ganhou versões por bandas como White Zombie, Racer X e Havok, e apareceu até no filme Beavis e Butt-Head Fazem o Universo (2022), reforçando sua presença na cultura pop.

Canção no Live Aid.

A música também foi uma das escolhidas pelo Black Sabbath no histórico Live Aid de 1985. Na ocasião, Ozzy se reuniu temporariamente com os antigos companheiros de banda para a apresentação beneficente.

Um detalhe curioso é que, naquela época, a maconha era a substância preferida da banda. No entanto, mudou posteriormente para cocaína, o que acabou contribuindo para crises internas e a saída de Ozzy em 1979.

Por fim, mais de 50 anos depois, “Children Of The Grave” continua atual. Contudo, não só pelo seu peso musical, mas pelo seu alerta. Afinal, se não cuidarmos do planeta, seremos todos “filhos da sepultura”.