Chefão do CV, que vivia “camuflado” em Florianópolis, é finalmente preso

Uma ação conjunta das forças de segurança da Bahia e de Santa Catarina prendeu, em Florianópolis, Odvan Pereira de Santana, 27 anos, conhecido como “Aluno”.

Apontado como líder do Comando Vermelho em Coração de Maria, no interior baiano, ele comandava à distância o grupo criminoso chamado “Tropa do Aluno”, mesmo vivendo fora do estado.

De acordo com as investigações da Polícia Civil da Bahia, Odvan mantinha o controle direto das atividades da facção por ligações e aplicativos de mensagens. Ele autorizava execuções de rivais, determinava punições internas, intimidava moradores e ordenava “salves”, atuando como um verdadeiro “tribunal do crime” responsável por decidir quem deveria morrer.

Entre os crimes atribuídos ao investigado está o feminicídio de Rebeca Barbosa Oliveira, assassinada a tiros em 11 de outubro. Rebeca e o companheiro foram sequestrados por membros da facção; enquanto ele conseguiu escapar, a jovem foi executada sob ordem direta de Odvan, segundo a polícia.

O líder também é investigado por tentativas de homicídio, sequestros e pelo uso de cárcere privado como instrumento de intimidação. A influência do grupo comandado por ele se estendia a municípios como Conceição do Jacuípe, com estrutura rígida e gerentes subordinados diretamente ao foragido.

A prisão foi autorizada pela Vara Criminal de Coração de Maria e ocorreu após trabalho de inteligência que localizou o suspeito em um imóvel na Comunidade Chico Mendes, em Florianópolis. A ação envolveu equipes do BOPE/CATE e do Tático do 22º BPM de Santa Catarina.

Para o delegado Idelfonso Monteiro, responsável pela investigação na Bahia, a captura representa um duro golpe contra o Comando Vermelho na região. Odvan permanece custodiado e deve ser transferido nos próximos dias para a Bahia, onde responderá por feminicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa.

A operação reforça a importância da integração entre as polícias estaduais no enfrentamento às facções que se expandem pelo país. Mesmo distante, o investigado mantinha o comando de uma célula extremamente violenta, que aterrorizava comunidades no interior baiano.