“Breathe”, do Pink Floyd: uma reflexão sobre a vida, a rotina e a loucura

“Breathe” questiona a vida moderna e continua atual mesmo após décadas.

Logo nos primeiros minutos de The Dark Side of the Moon, o Pink Floyd nos presenteia com uma das músicas mais simbólicas de sua carreira: “Breathe”. A canção, muitas vezes vista como uma espécie de conversa entre um homem mais velho e um bebê recém-nascido, revela de forma poética e crítica o ciclo opressor da vida adulta — especialmente o trabalho repetitivo e sem propósito.

Frases como Run, rabbit, run. Dig that hole, forget the sun” (Corra, coelho, corra. Cave aquele buraco, esqueça o sol) funcionam como um alerta sombrio: seguimos metas que não são nossas, presos a rotinas sufocantes. A mensagem por trás da faixa, no entanto, vai além da crítica: ela sugere a necessidade de romper com esse ciclo e buscar o que realmente nos inspira.

Uma das curiosidades mais comentadas sobre o álbum é sua suposta sincronização com o filme O Mágico de Oz (1939). Quando “Breathe” toca junto ao longa, há coincidências impressionantes — como o momento em que a frase “Balanced on the biggest wave” coincide com Dorothy quase caindo ao caminhar sobre uma cerca. Então, isso alimentou teorias e testes por parte dos fãs, embora o próprio Pink Floyd nunca tenha confirmado qualquer intenção nesse sentido.

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A jornada sonora de Dark Side

Após “Breathe”, o álbum mergulha em uma sequência instrumental chamada “On The Run”, seguida pela clássica “Time”, que retoma o tema e até repete trechos da primeira faixa, criando uma narrativa musical coesa e profunda sobre o passar do tempo e o peso das escolhas.

Outra camada importante são os sussurros e vozes que permeiam o disco, muitos deles referências sutis à loucura de Syd Barrett, membro fundador da banda. O guitarrista David Gilmour confirmou que essa conexão com o colapso mental de Barrett está presente no álbum, reforçando o caráter introspectivo e psicológico da obra.

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Releituras e homenagens

“Breathe” também ganhou novas interpretações ao longo dos anos. Integrantes de bandas como Pearl Jam e Blind Melon já regravaram a faixa, mantendo viva sua mensagem em diferentes gerações do rock.

Em 2012, a dupla pop Capital Cities lançou uma versão ousada e criativa da música. Com uma levada trip-hop, destaque para o trompete marcante e até um sample de Tupac Shakur — retirado da faixa “Smile”, de 1997. Inclusive, o duo já declarou publicamente sua admiração pelo Pink Floyd, citando a banda como uma grande influência e até mencionando-a em sua canção “I Sold My Bed, But Not My Stereo” (2013).

Por fim, “Breathe” continua atual porque fala de algo que todos sentimos em algum momento. Como por exemplo, o peso das expectativas e a urgência de encontrar um caminho próprio. Portanto, talvez seja por isso que, mesmo décadas depois, ela ainda ressoe tão forte nos fones de ouvido. Sobretudo nos corações de quem se permite escutá-la com atenção.