Brain Damage: música do Pink Floyd fala sobre loucura e a queda de Syd Barrett
“Brain Damage” é mais do que uma canção sobre loucura é um retrato sensível da queda de Syd Barrett
Foto: deep_schismic, CC BY 2.0
Um dos momentos mais intensos do clássico álbum The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, é a canção “Brain Damage” – que muitos fãs consideram inseparável de “Eclipse”, última faixa do disco. Nas rádios, inclusive, ambas são frequentemente tocadas juntas, dada a fluidez entre elas. Mas por trás da melodia envolvente, há camadas sombrias, homenagens e até uma suposta conexão com o filme O Mágico de Oz.
Portanto, a música trata, sobretudo, de insanidade – tema recorrente na trajetória da banda. Principalmente ligada ao ex-vocalista e guitarrista Syd Barrett. Barrett foi uma das mentes criativas mais brilhantes do início do Pink Floyd, mas sua saúde mental deteriorou-se rapidamente no final dos anos 60, em parte devido ao uso abusivo de alucinógenos. Ele passou a ter episódios de confusão e desorientação, como quando tocava músicas erradas ao vivo, até ser substituído por David Gilmour.
As referências.
Esse momento marcante da história da banda é referenciado diretamente na linha:
“E se a banda em que você está começa a tocar músicas diferentes?”
— Uma clara alusão ao comportamento errático de Barrett no palco.
Outro verso carregado de simbolismo é:
“Você levanta a lâmina, você faz a mudança”,
— interpretação bastante aceita como uma referência direta às lobotomias frontais, procedimento usado em casos extremos de doenças mentais.
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Apesar de algumas teorias apontarem para conexões com drogas. Contudo, a famosa frase “O lunático está na grama” não fala sobre maconha, mas sobre a grama literal dos parques. Roger Waters se inspirou nas placas de “Mantenha-se fora da grama” e via quem desobedecia como alguém à margem da sociedade – um “louco” por definição. A ideia se reforça com a linha “Tenho que manter os loucos no caminho”, sugerindo um esforço para conter o caos.
Sincronização com o mágico de OZ.
Há também a mítica teoria da sincronização entre o álbum The Dark Side of the Moon e o filme O Mágico de Oz. Afinal, segundo fãs, se o disco começa no exato momento do terceiro rugido do leão da MGM, as músicas coincidem com cenas do longa. Curiosamente, “Brain Damage” toca quando o espantalho canta “Se eu só tivesse um cérebro”.
Em uma entrevista ao programa The Tonight Show with Jimmy Fallon Gilmour revelou coincidência:
— “Polly (Samson, esposa de Gilmour) e eu ouvimos isso anos atrás. Alguém disse que se colocássemos a agulha no início do disco no terceiro rugido do leão, coisas estranhas aconteceriam”. Conforme contou.
E completou:
— “Há essas coincidências estranhas.”
Então, coincidência ou não, The Dark Side of the Moon continua a intrigar, emocionar e provocar debates mais de 50 anos após seu lançamento. E “Brain Damage” segue sendo um poderoso retrato da linha tênue entre genialidade e loucura. E por fim, um tributo sombrio a Syd Barrett e à complexidade da mente humana.