Black Sabbath e a revolução sonora de “Symptom Of The Universe”

Faixa faz parte do álbum Sabotage, lançado em 1975.

Lançada em 1975 no álbum Sabotage, a música “Symptom Of The Universe” é considerada um marco do heavy metal e uma das faixas mais inovadoras da carreira do Black Sabbath. Composta em meio a um dos períodos mais turbulentos da banda, a música traz a assinatura criativa do baixista Geezer Butler, que também era o principal letrista na época.

Butler revelou ao site Songfacts que a canção é, essencialmente, sobre amor. “O amor é o sintoma do universo. É isso que nos faz superar tudo”. Conforme afirmou. Embora tenha uma base lírica suave, a faixa entrega uma sonoridade pesada e agressiva, especialmente em seus primeiros minutos — um verdadeiro hino do heavy metal.

Aos 4 minutos e 24 segundos, a faixa muda completamente de direção e mergulha numa jam instrumental com influências folclóricas, lembrando o estilo do Grateful Dead. Essa fusão de estilos reforça o quanto o Sabbath era musicalmente versátil, muito além da imagem de banda sombria e pesada.

Em entrevista à Metal Hammer, o guitarrista Tony Iommi comentou que, embora não se recorde do momento exato em que criou o riff principal, sua abordagem à composição estava centrada em superar a si mesmo. “Eu estava competindo comigo mesmo”, disse. “Queria criar ideias cada vez mais inventivas, mudando afinações, amplificadores, mexendo nas guitarras… Evitava ouvir outras bandas para não repetir ninguém sem querer.

Kirk Hammett, guitarrista do Metallica, declarou à Consequence que o riff de “Symptom Of The Universe” foi um divisor de águas para o gênero, influenciando tanto a New Wave of British Heavy Metal quanto o thrash metal. “Esse riff mudou o heavy metal”, afirmou Hammett. “Você ouve uma vez e nunca esquece.”

Sabotage, 50 anos

O álbum Sabotage, sexto da discografia do grupo, foi gravado sob forte estresse. Entre 1970 e 1973, o Sabbath lançou cinco álbuns em ritmo frenético. Quando chegaram em 1975, estavam esgotados e enfrentando problemas legais constantes. “Tínhamos que ir ao tribunal o tempo todo”, contou Butler. “Foi horrível. Por isso chamamos o disco de Sabotage.”

Black Sabbath. Sabotage. Divulgação Warner.

Outra curiosidade, Geezer Butler considera a capa do álbum a pior da banda. Os quatro estão desbobrados na frente de um espelho, com roupas extravagantes, Ozzy de kimono e Bill Ward com uma calça colante vermelha, que era da sua mulher. A explicação é porque a banda acreditava que ia ser uma sessão de fotos para valer. O conceito acabou todo criado pelo técnico Graham Wright. As sessões aconteceram normalmente, e quando a banda viu o resultado já era tarde para mudar.  

Um outro fato, a introdução instrumental da música, com 49 segundos, aparece como uma faixa separada no álbum, intitulada “Don’t Start (Too Late)”.

No entanto, mesmo após a saída de Ozzy Osbourne da banda em 1979, “Symptom Of The Universe” continuou presente em shows com outros vocalistas, como Tony Martin. E quando Ozzy retornou para a turnê de reunião em 2011, a música voltou ao setlist, sendo tocada novamente em 2013.

Por fim, curiosamente, a faixa também apareceu na cultura pop. Como por exemplo em 1995 Ozzy fez uma participação no filme The Jerky Boys, interpretando o empresário da banda Helmet — que executa “Symptom Of The Universe” em uma das cenas.